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Notícias

  28/01/2008 

Ex-agente afirma que João Goulart foi envenenado

O ex-presidente João Goulart (1918-1976) foi morto a pedido do governo brasileiro. Essa foi a versão apresentada pelo ex-agente do serviço de inteligência do governo uruguaio Mario Neira Barreiro, em entrevista ao jornal Folha de São Paulo. Preso desde 2003 na Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas (RS), Barreiro contou que espionou João Goulart durante quatro anos e que - ao contrário da versão oficial, segundo a qual Jango teria morrido de ataque cardíaco - o ex-presidente foi envenenado a pedido dos militares brasileiros.

Jango morreu em 6 de dezembro de 1976, na Argentina. O ex-presidente governou o Brasil entre 1961 e março de 1964, quando foi deposto pelo golpe militar e teve de seguir para o exílio. Na entrevista ao jornal, publicada na edição de ontem, Barreiro deu detalhes da operação da qual participou e que teria causado a morte de Jango. Segundo o ex-agente, a ligação entre a inteligência uruguaia e o governo brasileiro era o então delegado do Departamento de Ordem Política e Social (Dops) de São Paulo, Sérgio Paranhos Fleury. A ordem para que Jango fosse morto partiu de Fleury, em reunião no Uruguai com dois comandantes que chefiavam a "equipe Centauro" - grupo que monitorava Jango. O Uruguai mantinha uma outra equipe de vigilância, a Antares, para monitorar Leonel Brizola.

"Após o golpe no Brasil, o serviço de inteligência do governo do Uruguai se viu obrigado a cooperar porque era totalmente dependente do Brasil. Goulart, para nós, era uma pessoa que não tinha nenhuma importância", declarou Barreiro. "Fleury foi quem deu a palavra final. A morte não foi decidida pelo governo uruguaio, mas pelo governo do Brasil, influenciado pela CIA". Segundo Barreiro, a CIA "pagou fortunas" para saber das ações e declarações de Jango e foi responsável "por muita coisa". O ex-agente, no entanto, disse que preferia não falar mais sobre a agência norte-americana porque tem "medo".

Sobre o assassinato de Jango, Barreiro conta que a ação teve a ajuda de um médico legista. "(Jango) foi morto como resultado de uma troca proposital de medicamentos. Ele tomava Isordil, Adelfan e Nifodin, que eram para o coração. Havia um médico-legista que se chamava Carlos Milles. Ele era médico e capitão do serviço secreto. O primeiro ingrediente químico veio da CIA e foi testado com cachorros e doentes terminais. O doutor deu os remédios e eles morreram. Ele desidratava os compostos, tinha cloreto de potássio. Não posso dizer a fórmula química, porque não sei. Ele colocava dentro de um comprimido".


E-mais

- A Folha de São Paulo diz que tentou falar com pessoas que pudessem esclarecer as afirmações feitas pelo ex-agente do serviço de inteligência do governo uruguaio Mario Barreiro. Segundo o jornal, o Exército brasileiro informou que não há hoje ninguém na ativa com condição de responder ou até rejeitar acusações.

- O mesmo argumento foi utilizado pela Embaixada dos Estados Unidos no Brasil, ao ser questionada se houve participação da CIA na suposta operação para matar o presidente João Goulart, em 1976. Segundo a assessoria da embaixada, todos os funcionários que trabalharam por lá nos anos 70, no Brasil, já deixaram o país.

- A Embaixada do Uruguai afirmou que só vai se manifestar sobre o assunto se houver interesse por parte do governo uruguaio.

Fonte: Jornal O Povo (Fortaleza-CE)

Última atualização: 28/01/2008 às 10:00:00
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