Jamil Chade da Agência Estado
Será anunciado hoje na presença do presidente da Comissão Européia (CE), José Manuel Durão Barroso, em Bruxelas, o novo plano de corte de emissões de CO2 até 2020 e que custará mais de US$ 86 bilhões por ano para ser implementado. O projeto está causando forte resistência entre governos, empresas e ativistas e, nos bastidores, o lobby dos diferentes grupos intensifica-se. A principal preocupação dos governos é a de que as novas limitações nas emissões acabem afetando a competitividade da economia européia nas próximas duas décadas.
O plano inclui um maior uso do etanol, o que está despertando o interesse dos exportadores brasileiros. No ano passado, os europeus chegaram a um acordo de reduzir em 20%suas emissões de CO2 até 2020. A taxa já era menor do que o esperado pelos cientistas. Mas a Comissão Européia (CE), em Bruxelas, alegou que não poderia adotar um corte mais profundo enquanto as demais economias também não se comprometessem na redução.
Um dos pilares da proposta é a adoção de uma meta para o uso de biocombustíveis. A UE pretende que 10% dos veículos até 2020 sejam movidos a etanol. Mas ativistas, o Parlamento britânico e até os cientistas da própria CE alertam que a meta pode ser um erro.
"O uso do etanol na Europa pode até ser prejudicial para o meio ambiente, já que forçará o desenvolvimento de uma biomassa ineficiente", afirmou a ONG Greenpeace em um estudo.
Para conseguir cumprir com a meta, a UE admite que terá de importar cerca de 20% do etanol do Brasil e de outras nações. "Se o Brasil quiser exportar etanol, terá de mostrar que o produto não foi resultado de devastação florestal", afirmou o porta-voz do Departamento de Energia da Comissão Européia, Ferran Tarradellas. O que preocupa o governo brasileiro é ainda a exigência de que a vegetação do Cerrado, onde está a soja, seja preservada.
Fonte: Jornal O Povo |