(São Paulo) No último dia 17 de janeiro, o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) divulgou que os números de 2007 do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) bateram recordes desde a sua criação em 1965. O setor que mais gerou postos de trabalho foi o de serviços, no qual se encontram os bancos que, apesar dos lucros estratosféricos, reduziram o ritmo de abertura de postos de trabalho.
De acordo com os números do MTE, em 2007, o saldo de vagas (admissões menos demissões) criadas no Brasil no setor de serviços ficou acima de 587 mil, alta de aproximadamente 12% em relação a 2006, quando esta conta deu pouco mais de 521 mil. Um levantamento do Sindicato, por outro lado, mostra que os bancos andaram na contramão e reduziram em 43,41% seu ritmo de abertura de postos. Em 2006, o saldo foi de 19.740 postos, contra 11.170 do ano passado - em números absolutos, foram criados 8.570 postos a menos.
Além de contratar menos, os bancos aumentaram ainda o trabalho do já sobrecarregado bancário, já que a quantidade de contas-correntes só cresce. Em 2001 eram 71,5 milhões; no ano seguinte, 77,3 milhões. Em 2003 alcançou 87 milhões, chegando a 90 milhões em 2004 e 95 milhões em 2005. Em 2006, último dado divulgado, já eram 102,6 milhões. No ano passado, caso a previsão dos próprios banqueiros se confirme, o dado deve ser ainda maior.
As atividades de crédito também sobem ano a ano e com elas o volume de trabalho nos bancos. De 2001 para 2006, o número de cartões dobrou, saindo de 38 milhões para 79 milhões. O valor das transações saiu de R$ 63,6 bilhões em 2001 para R$ 150,1 bilhões em 2006. Assim como no caso das contas-correntes, o número deve ser ainda maior em 2007.
No quesito lucros, a variação também é sempre para cima. E bem para cima. Nos nove primeiros meses de 2007, os ganhos das 30 instituições financeiras de capital aberto do país somaram R$ 23,82 bilhões, o maior dentre todos os setores da economia do país. Em segundo lugar, com R$ 17,17 bilhões, ficaram as empresas de petróleo e gás.
"Mais uma vez os números mostram que os bancos devolvem muito pouco para a sociedade do que ganham com ela. Não há motivos para este ritmo de contratações e sobram para que ele aumente: os bancários estão sobrecarregados", diz Luiz Cláudio Marcolino, presidente do Sindicato de São Paulo. "Além disso, essa política gera a precarização do trabalho, pois eles preferem investir no recrutamento de correspondentes bancários e de promotores de crédito, que, por não fazerem parte da categoria bancária, têm condições piores de trabalho", completa Marcolino.
Assédio Moral Um dos piores resultados da falta de funcionários é a pressão que os gestores exercem nos trabalhadores para o cumprimento de metas abusivas, uma das inúmeras formas de assédio moral praticada nos bancos. O Sindicato faz uma campanha permanente para abolir de forma completa este tipo de prática.
Fonte: André Rossi - Seeb SP
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