Os bancários do Ceará estão em greve desde o último dia 17/9 devido à intransigência dos banqueiros em negociar com a categoria. No dia 17 de junho, eles apresentaram suas reivindicações aos patrões. Durante 90 dias, esperaram por uma negociação tranqüila, sem prejuízos à categoria ou à população. Infelizmente, os patrões banqueiros os trataram com descaso. Não houve progresso e os bancários se viram forçados a usar o último instrumento de luta: a greve. Os lucros astronômicos dos bancos e a intransigência dos banqueiros não permitiram outra saída. Os bancários continuam em greve. Os patrões, ávidos por lucros, não cedem nem concedem um reajuste melhor. Diante disso, a greve se tornou inevitável.
Os servidores fazendários reafirmam seu apoio aos bancários e condenam a truculência dos banqueiros ao utilizarem antigos meios de repressão, como polícia e intimidações. Os banqueiros usam instrumentos jurídicos próprios do Direito Civil (interditos proibitórios – um autêntico retrocesso), para intimidar os bancários, ferindo a liberdade sindical, prevista na Constituição Brasileira.
Em todo o Brasil, os bancários já chegaram a ser quase 1 milhão. Hoje, estão reduzidos a 400 mil. Fruto da política de arrocho salarial, demissões e à falta de um mecanismo de proteção ao emprego. Porém, os bancários cearenses têm responsabilidade e se preocupam com a comunidade. Em sua campanha salarial, eles defendem ainda a ampliação do horário de atendimento, gerando mais empregos e oferecendo um melhor serviço à população.
Os fazendários, reunidos em seu IV Congresso Estadual, entendem a necessidade de continuação da greve e também pedem a compreensão da sociedade e o fim da intervenção do Judiciário em desfavor dos bancários, visto que estão buscando a reabertura do canal de negociação com a Fenaban e o governo. Neste momento, é imprescindível a solidariedade do povo cearense que, sabemos, está passando por transtornos. No entanto, a reivindicação da categoria bancária é justa e por isso conta com a compreensão de todos.
SINTAF – Sindicato dos Fazendários do Ceará
Fonte: Nota publicada no jornal O Povo, em 06/10/2004. |