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Notícias

  10/01/2008 

Aumento de preços arrocha bolso do trabalhador em 2008

Vicente Nunes - Correio Braziliense  

Os brasileiros que foram punidos com a forte alta dos alimentos em 2007 — somente o feijão ficou 198,7% mais caro — não terão sossego neste ano. Os preços monitorados pelo governo, como as tarifas de energia elétrica e de telefonia, as passagens de ônibus, os planos de saúde e os medicamentos vão pesar mais no orçamento das famílias. Nas contas dos especialistas, na média, esses preços terão reajustes de 4,5% ao longo de 2008, quase o dobro dos 2,5% estimados para 2007.

O maior impacto será sentido nas contas de luz. Se, no ano passado, residências de vários estados registraram quedas nas faturas mensais — em São Paulo a energia ficou 5,51% mais barata e, em Goiânia, o recuo foi de 5,89% —, em 2008, em média, as tarifas subirão 3,6%. As projeções apontam ainda para alta de 5,5% nas contas de telefone fixo, de 8% nos planos de saúde e de 4,4% nos medicamentos. “Infelizmente, o alívio dos preços administrados na inflação acabou”, disse o economista-chefe da Corretora López Leon, Flávio Serrano.

O motivo principal para a mudança de rota nos preços monitorados foi a disparada dos índices gerais de preços (IGPs), usados no cálculo dos reajustes de vários itens. Ontem, a Fundação Getúlio Vargas (FGV) informou que o Índice Geral de Preços — Disponibilidade Interna (IGP-DI) registrou elevação de 7,89%, a maior em três anos. Em 2006, o mesmo indicador havia ficado em 3,79%. Ou seja, mais que dobrou. Na semana passada, a mesma FGV divulgara que o Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M) tinha batido nos 7,75%. O IGP-DI faz parte do índice setorial que atualiza as tarifas de telefonia. O IGP-M é usado na taxa que corrige as contas de luz e vários contratos privados, como o de aluguel.

Assim como no IGP-M, a brusca elevação do IGP-DI decorreu dos preços dos alimentos. No atacado, vendidos como matérias-primas, os produtos agrícolas ficaram 24,82% mais caros em 2007. Nesse grupo, as maiores altas vieram da soja, do milho e do feijão. Juntos, esses três grãos contribuíram com quase um terço de todo o IGP-DI, segundo os cálculos do economista Gian Barbosa, da Consultoria Tendências.

Os preços da soja e do milho foram sustentados por dois fatores: aumento da demanda, devido à entrada no mercado de milhões de consumidores oriundos da China e da Índia, e uso dos grãos para a produção de biocombustíveis, especialmente nos Estados Unidos. Somente em dezembro, a soja subiu 5,9%, o milho 10,28%, e o feijão, 27,22%. Com isso, o IGP-DI cravou, naquele mês, 1,47%, taxa sem precedentes desde março de 2003, quando ficou em 1,66%.

Nas contas da FGV, diante da disparada dos produtos agrícolas, o Índice de Preços no Atacado (IPA), que responde por 60% do IGP-DI, encerrou 2007 em 9,44% ante os 4,29% de 2006. Segundo Flávio Serrano, parte dos reajustes foi repassada à população. Tanto que o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que representa 30% do IGP-DI, pulou de 2,05% para 4,6% entre 2006 e 2007. “Não é à toa que o Banco Central está tão preocupado. É grande a possibilidade de a alta dos alimentos contaminar os demais preços da economia”, acrescentou o economista da Corretora López Leon.

Pressão continua
Os preços dos alimentos, por sinal, continuam pressionando a inflação. No primeiro indicador de 2008, o Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S), a inflação atingiu 0,89%, a mais elevada em 26 meses. Dos sete grupos de preços que compõem o indicador, seis computaram altas, a maior delas, no de alimentação, com reajustes médios de 2,13%. A dobradinha arroz e feijão, prato típico do brasileiro, teve aumento de 17,38%, as frutas foram reajustadas em 3,28% e os óleos e gorduras avançaram 4,29% — apenas o óleo de soja ficou 9,17% mais caro.
 
Fonte: Coordenação Nacional de Lutas - Conlutas

 

Última atualização: 10/01/2008 às 10:26:00
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