Alberto Amadei
FMI e BM são rolos compressores das classes dominantes na economia para reformas neoliberais. Utilizaram o Chile de Pinochet e a Argentina de Videla como verdadeiros laboratórios para as políticas neoliberais aplicadas por Thatcher, em 79, e Reagan, em 81. Incentivaram a América Latina ao endividamento. Entre 1970 e 1982, o conjunto da dívida externa pública da região passou de US$ 16 bilhões para US$ 178 bilhões. FMI e BM têm um currículo de sabotagem das democracias que empreenderam reformas para reduzir desigualdades.
Opuseram-se a JK em 58. Boicotaram Jango contra a reforma agrária e a nacionalização do petróleo, em 63. Apoiaram a ditadura e o terrorismo de estado no Brasil, Chile e Argentina. Em 2002, reconheceram o golpe que derrubou por 48 horas o venezuelano Chávez.
Nos anos 80, quando a onça da dívida decidiu beber água, FMI e BM aproveitaram o endividamento (que propuseram), para cobrar privatizações, abertura, livre movimento de capitais, redução dos investimentos sociais, aumento de juros. Os capitais vindos à região sob empréstimo voltaram ao Norte na forma de fuga de capitais.
O Banco do Sul pode ser qualificado de "histórico". Trata-se de um mecanismo multilateral com foco na articulação da integração, financiamento de programas de desenvolvimento de infra-estruturas básicas; combate das assimetrias, desigualdades. Aponta seus investimentos públicos para a complementaridade, cooperação e solidariedade. E se justifica pelo fracasso das instituições existentes, que silenciaram em diante das necessidades da área, mas impuseram os arreios dos países centrais.
O Banco do Sul pode substituir entidades multilaterais caducas como BM e FMI, bem como seus estatutos do mau desenvolvimento, que em lugar do combate às desigualdades, multiplicam a pobreza e a subordinação estrutural.
Alberto Amadei - Especialista em Administração Pública
Fonte: Jornal O Povo |