Bogotá. O chefe da guerrilha das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), Manuel Marulanda, também chamado de ´Tirofijo´´, fez um apelo a uma ´ofensiva geral´ em 2008, em mensagem aos combatentes datada do dia 24 de dezembro, véspera de Natal, e publicada ontem pela Agencia Boliviariana de Prensa (ABP), ligada ao grupo. Marulanda destacou que se propõe a ´desmascarar a mentira´ do presidente Alvaro Uribe de que seu governo ´deu baixa a 8.000 guerrilheiros´, acrescentando que o mandatário quer ´esconder o fracasso do Plano Patriota´, financiado pelos Estados Unidos e apresentado como a maior ofensiva contra as Farc em quatro décadas. ´A experiência de cinco anos enfrentando esse plano foi suficiente para que os comandos e os guerrilheiros aprendessem de que maneira atua e se desloca o inimigo em suas operações´, precisou o texto. O Plano Patriota é integrado por 17.000 militares (o mesmo número de efetivos das Farc) e atua na retaguarda histórica do grupo no sul do país. ´É conveniente aproveitar a crise geral pela qual passa o governo e o cansaço refletido em algumas unidades militares para começar a preparar as condições voltadas para uma ofensiva geral´, diz a mensagem, que não faz nenhuma alusão à operação humanitária montada pela Venezuela para recuperar três reféns que tiveram a libertação prometida pelas Farc. Operações militares A guerrilha anunciou segunda-feira a suspensão por tempo indefinido dessa entrega argumentando operações militares na região na qual uma comitiva internacional receberia os reféns. Uribe nega essa alegação da guerrilha, levantando a hipótese de que as Farc não cumpriram o acordo porque não têm o menino Emmanuel, que estaria desde 2005 num ´lar substituto´ do Estado. O líder rebelde, de 77 anos e que fundou as Farc em 1964, acrescentou que seus quadros ´estão obrigados´ a desenvolver ´ações armadas em estradas, caminhos, florestas, centros urbanos, aldeias e quartéis, sem dar trégua ao inimigo, tal como o faz´ contra a organização. Manuel Marulanda lembra a principal exigência das Farc: a desmilitarização dos municípios de Florida e de Pradera, no sul do país, a fim de organizar uma troca entre os mais de 40 reféns, entre eles a ex-candidata à Presidência Ingrid Betancourt, e cerca de 500 guerilheiros presos.´Se o presidente Uribe ordenasse uma retirada militar de Florida e Pradera, o problema estaria solucionado há anos. E assim, ninguém perderia, todos ganhariam´, estima Manuel Marulanda.
FIQUE POR DENTRO Entenda o caso do garoto Emmanuel, refém das Farc O garoto Emmanuel, 3, filho da refém das Farc Clara Rojas e de um guerrilheiro, tornou-se um complicador no caso dos três seqüestrados que seriam entregues pela guerrilha no final do ano passado. Após as Farc suspenderem a libertação de Rojas, Emmanuel e a ex-congressista Consuelo González de Perdomo, o garoto entrou no centro das especulações sobre as reais razões que levaram o grupo guerrilheiro a recuar. O presidente Uribe, porém, negou a versão da guerrilha e afirmou que as Farc não poderiam cumprir sua promessa simplesmente porque Emmanuel não estaria em seu poder. Uribe disse que um garoto de três anos, chamado Juan David Gomez, com a mesma descrição de Emmanuel, vive em um centro estatal de atenção a menores desamparados. Familiares de Clara Rojas recolheram amostras de DNA.
Fonte: Jornal Diário do Nordeste |