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Notícias

  28/12/2007 

BNB supre lacuna: Recriação da Sudene continua na ordem do dia

Samira de Castro
Repórter

O crescimento econômico do Nordeste teve suas bases plantadas na década de 50, com a criação dos órgão públicos com atuação voltada para reduzir as disparidades regionais. O exemplo mais emblemático da política desenvolvimentista adotada desde então no País é a Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene). Mas, merecem destaque a Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco (Codevasf, que começou como Suvale, em 1946), o Banco do Nordeste (BNB) e o próprio Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dncos, cuja criação data de 1909).

´É salutar que cada governante se preocupe com seu estado, por isso, é necessário ter instâncias regionais como o BNB e a Sudene, para se preocupar com os programas gerais da região, como de turismo, transporte, saneamento, distribuição de renda, crédito´, comenta José Sydrião de Alencar Júnior, superintendente do Escritório de Estudos Econômicos do Nordeste (Etene/BNB). Ele lembra que o Dnocs foi o órgão que começou a política de desenvolvimento regional, no começo do século XIX.

´O Dnocs é importantíssimo para o Nordeste. Foi o responsável por toda obra de açudagem e estradas do Nordeste. Hoje, trata exatamente da questão da água e da convivência com o semi-árido´. Para Alencar, a ordem do dia mostra mais necessária ainda a recriação da Sudene. A autarquia foi idealizada em 1959, no governo Kubitscheck (tendo à frente o economista Celso Furtado), extinta por Fernando Henrique Cardoso e reeditada por Lula, sem sair do papel até hoje.

Para suprir o vácuo deixado pela Sudene, tem ganho destaque a atuação do BNB. Criado em 1972, o banco é um dos 150 maiores da América Latina, tendo sua atuação ampliada a cada ano. Seus empréstimos cresceram 54%, saltando de R$ 3,7 bilhões, em 2003, para R$ 5,7 bilhões, até outubro último. Do total liberado este ano, R$ 3,1 milhões vieram do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE).

Outro destaque é a expansão nas contratações com o setor de comércio, sobretudo para micro e pequenas empresas, que receberam mais de R$ 600 milhões este ano — 57% a mais que o montante investido no setor ao longo de 2006. No campo de apoio à pesquisa, o Banco apóia hoje mais de 420 projetos, de R$ 22,3 milhões.

A instituição tem ampliado seu leque de atuação, que vai desde a atração de investimentos até o levantamento de necessidades das mesorregiões, passando por megaprojetos regionais e até pela popularização do acesso ao crédito a quem nunca teve condições de entrar em um banco.

CAXANGÁ MODA PRAIA

Empréstimo de R$ 300 impulsionou confecção
Com uma única máquina de costura, experiência em vendas, vontade de crescer e de melhorar a qualidade de vida de sua família, o casal Márcia Maria da Silva, 36 anos, e Carlos Antônio Rosa de Oliveira, 40 anos, apostou suas fichas no Crediamigo. Em 1997, ela ficou desempregada. Preocupado com as dificuldades financeiras, Carlos, que era vendedor autônomo, convidou sua esposa para trabalharem juntos.

No início ela ficou em dúvida. Não tinha experiência em vendas, mas como não conseguia um emprego, decidiu começar uma nova etapa de vida. Fizeram um planejamento: Carlos, com sua experiência, sabia quais produtos de moda praia eram mais vendidos — peças bordadas e pintadas à mão. O primeiro obstáculo apareceu logo: dinheiro para comprar mercadorias.

Resolveram pedir um empréstimo à irmã de Márcia para aquisição de uma máquina de costura. Compraram a tão sonhada máquina, mas não tinham clientes suficientes para venda de sua produção. Traçaram um plano de ação novamente: Márcia ficaria responsável pela confecção das peças, enquanto ele foi em busca de novos clientes. Descobriram o Crediamigo em 2001, com empréstimo de R$ 300,00.

O dinheiro pode até parecer pouco para alguns. Mas se transformou em malha e aviamentos, que deram impulso ao negócio, permitindo o aumento da produção e incremento das vendas. Vinte e dois empréstimos depois, tornaram-se proprietários da Caxangá Moda Praia. A fábrica gera cerca de 20 empregos diretos e mais de 60 indiretos, atingindo uma produção de 350 peças por dia, conquistando mercados em Minas Gerais, Bahia, São Paulo, Rio de Janeiro, Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Norte e sobretudo Ceará.

INCENTIVO AO EMPREENDEDORISMO

Crediamigo democratiza crédito
Nunca a palavra microcrédito esteve tão popularizada no Brasil. Depois que o economista de Bangladesh e fundador do Grameen Bank, Muhammad Yunnus, ganhou o Prêmio Nobel da Paz, em 2006, parte do mercado financeiro se rendeu aos princípios do ´emprestar pouco para muitos´. Foi partindo desse conceito que o Banco do Nordeste (BNB) lançou o Crediamigo. Hoje, o maior programa do gênero na América Latina ajuda não só a fomentar a atividade produtiva informal, como a concretizar sonhos.

´Você tem no Nordeste 2,7 milhões de pessoas na informalidade e 21 milhões de pessoas diretamente envolvidas com microempreendimentos, o que representa 42% do total da população da Região. O que esses empreendedores mais precisam é de capital de giro, é recurso para comprar máquinas e equipamentos também´, argumenta Stélio Gama, superintendente de Microfinanças e Projetos Especiais do BNB.

Completando dez anos em 2008, o Crediamigo saiu de uma carteira de 21,2 mil para 294,6 mil clientes ativos — 64% são mulheres — , com R$ 709 milhões desembolsados até novembro deste ano. Uma das marcas mais impressionantes do Crediamigo é da de registrar cerca de 3,2 mil empréstimos por dia útil. Em 2005, eram, em média, 2,2 mil operações. ´Hoje, alguns clientes estão tirando o crédito para pintar a casa, o que significa mais qualidade de vida´. É no próprio lar que muitos empreendedores tocam seus negócios.

O Crediamigo atende a mais de 1.200 municípios dentro da área de atuação do Banco, por meio de 170 agências e 34 postos de atendimento. No Ceará, são 88.675 clientes ativos, com 225.892 operações e R$ 191 milhões emprestados até novembro e média de 982 operações por dia útil.

A média dos também empréstimos vem aumentando. Em janeiro de 2002, girava em torno dos R$ 745, passando para R$ 947 em outubro de 2007. Ainda este ano, o Programa pretende atingir 300 mil clientes ativos. Oferece seguros de vida e prestamista bem como orientação empresarial e ambiental, realizada através dos assessores de crédito.

Para Stélio Gama, a taxa de retorno do Crediamigo — inadimplência de 0,94% — resulta da sistemática de concessão. ´A gente sabe que o pequeno informal paga porque só tem o negócio e o nome. Outro ponto é o aval solidário: 95% dos empréstimos são feitos para grupos de pessoas da mesma comunidade´, explica.

PROCURA DISPARA

3,2 mil pessoas chegam a tomar empréstimos pelo Crediamigo do BNB a cada dia útil. Em 2005, eram registradas, em média, 2,2 mil operações de microcrédito produtivo para cada dia de funcionamento do banco, o que equivale a uma alta de 45% experimentada pela linha no período.

BANCOS DE COMUNIDADE

Atuação em microfinanças comunitárias será ampliada
O BNB está expandindo sua atuação na área de microfinanças, com o Crediamigo Comunidade, que já possui 16.960 clientes ativos, mais de R$ 16 milhões desembolsados e inadimplência próxima a zero. O produto, lançado como piloto nos municípios de Caucaia, Guaramiranga, Maranguape e São Gonçalo do Amarante (CE), em 2005, tem a parceria da Acción International. Presente em todos os estados de atuação do BNB, deve fechar o ano com 15% do mercado elegível de microfinanças na região.

A iniciativa segue a metodologia dos Bancos Comunitários ou Village Banking, na qual são formados ´bancos nas comunidades´, constituídos de 15 a 30 pessoas que já têm ou querem iniciar um negócio, e que são geridos pelos seus próprios integrantes. Há experiências similares em países da África, da América Latina e da Ásia.

Segundo o superintendente de Microfinanças e Programas Especiais do BNB, Stélio Gama, os próprios integrantes se responsabilizam por decisões como: quem participa do banco, valor do crédito concedido, controle de recebimentos e pagamentos das parcelas, e cobrança de atrasos. ´A autogestão revela-se como forte elemento de poder da comunidade envolvida, que é consolidado com a integração do crédito concedido pelo Crediamigo e a criação de poupança, sendo este último o diferencial do produto´, diz.

Através da orientação empresarial prestada pelos assessores de crédito, os integrantes dos bancos são conduzidos a investir em atividades produtivas e a formar a poupança familiar, bem como discutir questões de interesse da comunidade. ´Muitos grupos acabam fazendo outras ações. Isso gera capital social´, avalia.

Fonte: Jornal Diário do Nordeste

 

 

Última atualização: 28/12/2007 às 10:28:00
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