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Notícias

  27/12/2007 

Artigo: Quanto vale a sua vida?

Fachadas luxuosas, instalações modernas, funcionários sorridentes, sempre bem apresentáveis em fardamentos impecáveis. Tudo isso faz dos bancos um local onde quem não conhece por dentro não é capaz de acreditar que eles adoecem anualmente tantos bancários. Trabalhadores que, muitas vezes, optam equivocadamente por trabalhar sem condições.

O trabalho, da forma que se constrói, danifica o homem! Somente os bancos, em Pernambuco, são responsáveis anualmente pelo adoecimento de mais de 250 bancários. As razões variam. De acidentes de trajeto, quando o bancário se dirige ao banco ou volta para sua casa, até danos à saúde mental por assédio moral ou sexual, e exposição à violência em assaltos. Sem falar nas lesões por esforços repetitivos e até mesmo -pasmem - picada de pulgas devido à má higienização, fato verídico e já trazido a público pelo Sindicato.

Os banqueiros montaram um plano perfeito para lucrar às custas do adoecimento alheio. De um lado, eles contratam empresas de “saúde” ocupacional para negar, a qualquer custo, o estado de adoecimento dos trabalhadores. De outro lado, contam com a conivência do próprio trabalhador, que sente vergonha de aceitar-se doente e procurar um médico no horário de trabalho. Ainda mais quando essa consulta pode determinar um afastamento ou, pior, recomendar tratamento psiquiátrico.

Essa equação gera muitos danos ao empregado. Danos que vão de um simples afastamento por doença comum, quando deveria ser acidente do trabalho até a demissão de um trabalhador acidentado. O setor financeiro é um dos segmentos da economia que teve seu fator previdenciário aumentado em 100%. Trata-se de uma taxa que as empresas pagam ao INSS para custear possíveis acidentes de trabalho.

Pergunto: será que vale a pena trabalhar sem condições? Trabalhar com dor? Não procurar o médico ou não seguir seu conselho de afastar-se para se tratar? Será que vale o custo de não ter mais força na mão para pegar um copo, uma caneta, ou segurar nos braços o próprio filho ou neto? Vale a pena submeter-se a cirurgias, nas férias, para não chamar atenção no trabalho sobre a doença que tanto incomoda? Vale a pena ter uma ficha funcional sem atestados médicos e nenhum dado sobre doenças ocupacionais existentes e ficar à mercê do banco? Vale a pena acreditar que o assalto não terá conseqüências e não cobrar a notificação da CAT – Comunicado de Acidente de Trabalho? Vale a pena acreditar no banco, e não no sindicato que, anualmente, anula centenas de demissões de trabalhadores doentes e consegue, via justiça, reintegrar outros tantos?

Basta ouvir, ler ou presenciar depoimentos de colegas que passaram por essa experiência de vida e refletir sobre essa pergunta: quanto vale a sua vida?

Autoria: João Rufino - secretário de Saúde do Sindicato dos Bancários de Pernambuco

Última atualização: 27/12/2007 às 16:38:00
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