MONTEVIDÉU, (PL) — Os presidentes das nações-membros do Mercado Comum do Sul (Mercosul) ressaltaram o papel estratégico desse bloco como instrumento para sua melhor inserção na economia global e na busca do desenvolvimento sustentável da região.
Ao término da 34ª Cúpula do pacto, os presidentes aprovaram uma declaração conjunta, ates consensuada por comissões dirigidas pelos respectivos chanceleres, em que fizeram um balanço às atividades do Mercosul e expõem suas tarefas mais imediatas.
Nesse contexto, instruíram seus ministros para terminarem o código alfandegário durante o primeiro semestre de 2008 e impulsionarem as negociações para abrir terceiros mercados.
Também, o estabelecimento dum mecanismo de distribuição da renda alfandegária, como passo necessário à livre circulação de bens dentro do Mercosul e, continuar trabalhando para concordar um plano estratégico dirigido a superar as assimetrias entre as nações-membros.
Outro dos objetivos identificados pela declaração foi a elaboração dum programa de integração produtiva encaminhado ao desenvolvimento de cadeias de valor entre empresas da região.
Os presidentes destacaram a importância da constituição e continuidade dos trabalhos do Parlamento do Mercosul e celebraram a fundação do Banco do Sul em 9 de dezembro na Argentina.
Reafirmaram também sua determinação de continuar trabalhando nas negociações da Rodada de Doha no padrão da Organização Mundial do Comércio e, exortaram aos países desenvolvidos a mostrarem decisão política e flexibilidade a fim de concretizar um acordo em breve.
Além disso, expuseram a disposição de explorar vias para reforçar as relações comerciais e econômicas com a Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean).
Os presidentes expressaram também seu interesse em iniciar negociações de livre comércio com o Sistema de Integração Centro-americano (SICA) e com a Comunidade do Caribe (Caricom).
A declaração está assinada pelos presidentes da Argentina, Cristina Fernández; do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva; do Paraguai, Nicanor Duarte; do Uruguai, Tabaré Vázquez e da Venezuela, Hugo Chávez.
ARGENTINA ASSUME A PRESIDÊNCIA
"Força, América Latina", proclamou a presidenta argentina, Cristina Fernández, ao assumir a presidência pro témpore do Mercosul durante a 34ª Cúpula.
Alguns diziam que esta ia ser uma reunião quase de defunção do Mercosul, mas são os que em cada um dos países também não acreditam em si mesmos, na potência do povo, na identidade cultural, na pertenência histórica, assinalou Fernández, que recebeu do presidente uruguaio Tabaré Vázquez o maço que simboliza seu mandato.
Nosso Mercosul não só tem boa saúde — advertiu —, mas também tem excelentes anticorpos, adquiridos durante a década de neoliberalismo a que nos submeteram.
A América Latina voltou a encontrar-se novamente com sua própria identidade em governos que fizeram da democracia e da inclusão social dois eixos irrenunciáveis da atividade política, expressou.
Fernández adiantou que durante a presidência argentina do Mercado Comum do Sul fará "tudo o que for possível" pela aprovação dum código alfandegário a fim de impedir que os produtos de cada país tenham que pagar tarifas alfandegárias numa e noutra jurisdição.
Também prometeu trabalhar pela integração produtiva e pela reindustralização das nações-membros do pacto. "Nisto o Mercosul também tem que ser também tem que ser a ponta de lança", reafirmou.
E me comprometo, como sempre fiz em minha vida e em minha prática política, a fazer as coisas com toda a capacidade, com toda a sinceridade e toda a paixão de que somos capazes as mulheres, disse.
Na sessão solene também discursaram os presidentes Luiz Inácio Lula Da Silva (Brasil), Nicanor Duarte (Paraguai), Hugo Chávez (Venezuela), Evo Morales (Bolívia) e Michelle Bachelet (Chile), que como elemento comum se declararam conhecedores de que o caminho até a integração não está isento de obstáculos, mas proclamaram sua decisão e suas esperanças de que o Mercosul seja chave no desenvolvimento econômico e social destas terras.
Uma frase do presidente Chávez resumiu talvez como nenhuma esse sentimento: "Do destino do Mercado Comum do Sul depende o futuro de nossa América".
Antes, os chefes de Estado das nações-membros plenos e associados do pacto aprovaram por unanimidade três documentos básicos previamente redigidos e concordados pelos respectivos chanceleres.
Um deles está referido à conclusão do processo de adesão da Venezuela ao Mercosul em breve.
Um segundo documento aprovou o Comunicado Conjunto dos Estados partes e associados do bloco sobre a instalação dum fórum de consulta e concertação política.
O terceiro foi a Declaração Final conjunta da 34ª Cúpula.
Por sua parte, o Parlamento do bloco aprovou por unanimidade uma declaração na que ratificou seu "firme apoio" ao regime constitucional da Bolívia e expressou "o reconhecimento e a estabilidade das autoridades e dos órgãos eleitos" nesse país. •
Fonte: Granma Internacional Digital: http://www.granma.cu/ |