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Notícias

  14/12/2007 

Sob disputa, nasce o Banco do Sul

Nasceu o Banco do Sul. No domingo (9), foi assinada a ata de fundação da nova instituição financeira sul-americana. Brasil, Argentina, Bolívia, Equador, Paraguai, Venezuela e Uruguai endossam a iniciativa. O presidente colombiano, Álvaro Uribe, também demonstrou interesse em participar da instituição. O principal aliado dos Estados Unidos na região, no entanto, não ratificou o ingresso de seu país.

O Banco do Sul é uma iniciativa lançada pelo presidente da Venezuela, Hugo Chávez, que depois foi logo encampada por Bolívia e Argentina. O Brasil estava reticente com relação ao projeto, mas decidiu encampá-lo após obter a restrição de que a instituição financiaria apenas projetos de infra-estrutura dos países da América do Sul. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse, em Buenos Aires, que a criação do banco é "decisiva" para a integração da América do Sul e para a maior "independência" financeira da região. Lula ponderou que as três maiores economias da região (Argentina, Brasil e Venezuela) são "fundamentais" para que haja integração na prática e sejam resolvidas as desigualdades sociais. Ele defendeu que países como Paraguai, Uruguai, Equador e Bolívia precisam ser ajudados pelo trio de países.

“Modelo do Norte”
Nos próximos meses, os países definirão como serão feitas as contribuições e a concessão de empréstimos no Banco do Sul. Da forma como a instituição hoje está constituída, as decisões relativas à gestão do Banco do Sul estariam submetidas ao poder dos que tiverem maior volume de cotas, de acordo com o economista do Instituto Políticas Alternativas para o Cone Sul (Pacs), Gabriel Strutman. Para ele, esse sistema reproduz o “modelo do Norte”. Essa é a mesma fórmula utilizada no Fundo Monetário Internacional (FMI) e no Banco Mundial que acabam controlados pelos Estados Unidos e pela União Européia e se tornam instituições a serviço da manutenção dos interesses dos países ricos sobre os países pobres.

Entretanto, o economista do Pacs acredita que os rumos do Banco do Sul não estão decididos, pois é uma proposta em construção. “Para poder ser uma alternativa, o Banco tem que fazer uma correção nas assimetrias de poder na região”, assinala. Para Strautman, o novo banco só irá servir como um contraponto às instituições multilaterais caso altere a estrutura política de dominação existente na região. “Se isso fosse feito, não precisaríamos nos sujeitar aos pacotes impostos por esses bancos que, quando vêm para cá emprestar dinheiro, nos impõem medidas de ajuste ortodoxo na economia”, afirma.

O embaixador da Venezuela no Brasil, Júlio García Montoya, garante que o Banco do Sul não irá repetir as mesmas lógicas de instituições como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial. “Eu estou certo de que isso não vai ocorrer. O Banco está nascendo com uma visão que não vai permitir a repetição de erros de organismos financeiros multilaterais existentes. As perspectivas são positivas e cada vez mais fica evidente a necessidade desse Banco”.

Só Infra-estrutura
Uma das principais disputas interna entre os países que compõem o Banco é a proposta do governo do Equador, que sustenta a posição de que a instituição deva assumir outras funções além do fomento. Para o presidente Rafael Correal, a instituição deve atuar como um banco central regional, criando as bases para um sistema de troca com moeda local na região. O presidente da Bolívia, Evo Morales, apóia essa intenção, assim como alguns movimentos sociais e ONGs da região.

Segundo Sandra Quintela, da Rede Brasil sobre Instituições Financeiras Multilaterais (RBrasil), hoje o Banco do Sul foca apenas projetos de infra-estrutura. “Temos que ter projetos de financiamento que garantam a soberania alimentar dos países; que não financiem o agronegócio, por exemplo. Mas o próprio governo da Venezuela afirma que o primeiro projeto que vai estar em pauta é o Gasoduto Sul, que é altamente contestado pelos movimentos ambientalistas, indígenas e camponeses. Esse é o tipo de linha de financiamento que tem sido discutido”, critica. Para a economista, o Banco do Sul tem que ser um “instrumento que evite novos ciclos de endividamento”. (Com informações de Tatiana Merlino e agências).

Fonte: Brasil de Fato


 

Última atualização: 14/12/2007 às 10:43:00
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