O Nordeste pode se transformar, a médio prazo, no mais novo centro nacional de atração de investimentos dos bancos públicos federais. A determinação de ampliar a liberação de recursos para a região partiu dos quatro maiores bancos oficiais do país, que esperam aumentar a participação regional no volume de crédito a ser concedido ao longo dos próximos anos. Mesmo representando 30% da população nacional, o Nordeste tem recebido pouca atenção das instituições financeiras, ficando atrás do Sul e do Sudeste em volume de financiamentos.
O Banco de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), por exemplo, já estabeleceu como meta dobrar o montante dos desembolsos anuais na região até 2010. Entre outubro de 2006 e o mesmo mês de 2007, o banco havia investido em todo o país cerca de R$ 66,6 bilhões. Deste total, o Nordeste respondeu por aproximadamente 8%, totalizando apenas R$ 5 bilhões em créditos. Embora pouco significativo, esse valor é 19% maior do que o aplicado na região nos doze meses anteriores.
De acordo com opresidente do BNDES, Luciano Coutinho, os estados do Nordeste possuem baixa representatividade no desembolso do banco, sendo urgente o desenvolvimento de ações que corrijam essa distorção. Ele explicou que entre 2000 e 2005 o BNDES aplicou apenas R$ 19,4 bilhões nos estados nordestinos. Mesmo sendo considerado um volume pequeno, os investimentos responderam pela criação de 184 mil novos postos de trabalho formais.
Para atender os grandes projetos em implantação no Complexo Industrial e Portuário de Suape, o BNDES criou um grupo de trabalho que irá estudar a irradiação dos impactos econômicos e sociais na região, de forma que a demanda por matéria-prima, insumos e serviços possa ser atendida pelo próprio estado. Além disso, o BNDES também estuda as necessidades de cinco municípios no entorno de Suape, no que se refere à infra-estrutura de transporte, habitação e saneamento.
O Banco do Nordeste também reconhece a necessidade de aumentar os investimentos na região. Apenas no segmento das micro e pequenas empresas, o BNB dobou o volume aplicado, passando de R$ 200 milhões, em 2005, para R$ 400 milhões, em 2006. As expectativas para este ano são de atingir R$ 800 milhões. Segundo o superintendente do banco em Pernambuco, Sérgio Maia, o total de financiamento e empréstimos na região atingiu no primeiro semestre R$ 3,4 bilhões, dos quais R$ 1,2 bilhão foram para o setor rural. Em Pernambuco, de janeiro a novembro, os financiamentos atingiram R$ 450 milhões, R$ 100 milhões, em atividades agropecuárias.
O Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal também devem rever suas estratégias de investimento no Nordeste. Historicamente, as duas instituições apresentam arrecadação superior aos investimentos, o que provoca a evasão das divisas regionais. Até junho de 2007, a Caixa havia investido em Pernambuco R$ 900 milhões, cerca de R$ 146,5 milhões apenas em habitação. Já o Programa de Aceleração do Crescimento deve responder por mais R$ 1,16 bilhão. Em processo de oferta pública de ações, o Banco do Brasil não pode se posicionar sobre as expectativas de investimentos na região por orientação da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
O coordenador da bancada do Nordeste na Câmara, deputado Zezéu Ribeiro (PT-BA) afirmou que, embora dois dos bancos oficiais trabalhem mais como instituições comerciais do que de fomento, as perspectivas quanto ao aumento de volume de recursos liberados para o Nordeste são animadoras. (Diário de Pernambuco)
Fonte: www.zezeu.com.br |