No dia 05 de dezembro/2007 a Central Única dos Trabalhadores – CUT, conjuntamente com outras centrais sindicais, realizou a IV Marcha da Classe Trabalhadora em Brasília. Levantando as “bandeiras da redução da jornada de trabalho sem redução de salário, por mais e melhores empregos e o fortalecimento da seguridade social e das políticas públicas”,(panfleto da CUT) a marcha reuniu dezenas de milhares de trabalhadores. Seria realmente um ato de luta, se por trás dessa marcha não estivesse em jogo apenas a defesa dos interesses da burocracia sindical que controla a maioria das entidades no país.
Vejamos um fato interessante. Encontra-se em tramitação no Congresso Nacional o Projeto de Lei n° 1987/07 de autoria do Deputado Cândido Vacarezza/PT que revoga do art. 1° ao 642 da CLT-Consolidação das Leis do Trabalho. Esse projeto abre espaço para que o Congresso altere toda a ordenação jurídica relativa aos direitos dos trabalhadores, podendo extinguir direitos históricos e jogar por terra décadas de luta. O referido projeto não passou por nenhuma discussão com a sociedade e com certeza vai ganhar apoio de importantes setores do Congresso Nacional, tendo em vista que a maioria dos deputados e senadores foram eleitos graças às verbas milionários dos empresários que os sustentam.
Ao contrário da CUT que diz estar lutando pela “redução da jornada de trabalho”, o Projeto de Lei do petista Vacarezza possibilita a extensão da jornada de trabalho para até 12 horas diárias de acordo com a vontade dos empresários. Institucionaliza o famigerado banco de horas, onde os trabalhadores serão obrigados a trabalhar mais na época de alta produção e tirar “folgas” em épocas de ociosidade, acabando assim com as horas extras e livrando os patrões de pagarem a hora excedente.
Para completar, o projeto reafirma a manutenção do contrato de trabalho por tempo determinado, antiga reivindicação do patronato. Flexibiliza a estabilidade dos “cipeiros” integrantes da CIPA, inibe o direito de greve, além de possibilitar ao patrão reduzir a jornada de trabalho e o salário dos trabalhadores em situação de conjuntura “desfavorável”. Referido projeto é historicamente o MAIOR ataque ao conjunto de direitos dos trabalhadores.
E a CUT, o que diz? “Estranhamente”, apesar de ter mobilizados milhares de trabalhadores em sua marcha à Brasília, a Central Única dos Trabalhadores não tocou uma vírgula sequer sobre o projeto de lei em seus materiais, encontros ou discussões. Apesar de ter sido recebido pelo próprio presidenteda república, a CUT não exigiu o cancelamento do projeto e o fim dos ataques aos direitos dos trabalhadores.
Todos esses fatos demonstram à classe trabalhadora que essa Central não possui mais autonomia e compromisso em representar as nossas reivindicações. Fato que inclusive está resultando na desfiliação de dezenas de sindicatos à Central, exatamente por entenderem que ela não cumpre mais sua missão.
Nesse sentido fazemos um chamado à toda classe trabalhadora que analise a situação, veja os fatos e tire a conclusão por si própria. Que veja quais os reais objetivos daqueles que defendem o imposto sindical obrigatório, daqueles que fazem marchas midiáticas sem dizer a verdade e daqueles que têm sabotado nossas últimas campanhas salariais.
Saudações aos que lutam.
Wagner Fernandes Diretor da Associação dos Funcionários do Banco do Nordeste
Fonte: Conlutas - Coordenação Nacional de Lutas
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