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Notícias

  05/12/2007 

Após derrota, intelectuais chavistas fazem autocrítica

As explicações para a primeira derrota eleitoral do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, em nove anos, no referendo constitucional de domingo passado, provocaram uma avalanche de artigos no site www.aporrea.org, o mais importante fórum de discussão de intelectuais identificados com o governo daquele país. Uma das críticas mais duras foi do sociólogo alemão Heinz Dieterich, ideólogo do dito socialismo do século XXI. Para ele, Chávez pode ser deposto no ano que vem "se não forem tomadas medidas realistas já".

Radicado no México, Dieterich disse que a causa principal da derrota "é o sistema vertical de condução do processo bolivariano: o Parlamento é essencialmente uma caixa de ressonância da vontade presidencial, onde os deputados dizem sim a tudo que ele propõe, ainda que seja inviável".

Para sobreviver aos ataques norte-americanos, Dieterich sugere, entre outras medidas, criar instâncias pluralistas, recompondo inclusive com o ex-ministro da Defesa, general Raúl Baduel, "do centro".

A jornalista Vanessa Davies, da emissora estatal VTV e próxima de Chávez, afirmou em Caracas que a derrota se deveu tanto à atuação equivocada do chavismo quanto à estratégia oposicionista. Ela enumerou, entre outros motivos, as más ou péssimas administrações regionais chavistas; "a escassez de alimentos fabricada pelos setores conspiradores do empresariado" e a incompreensão sobre "o movimento estudantil promovido e treinado pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos". Vanessa propôs mudanças urgentes nas comunicações da revolução: "Mais informação e análise", não publicidade.

Mitos derrubados

Vicente Díaz, o único dos cinco juízes do Conselho Nacional Eleitoral (CNE) da Venezuela que não é chavista, declarou que o referendo derrubou três mitos, entre os quais o de que Hugo Chávez é um ditador. Os outros dois são o de que a oposição do país é golpista e que o CNE não consegue garantir eleições transparentes.

Ele afirmou, no entanto, que surgiram outros três mitos após o referendo: o de que houve uma demora intencional na divulgação do primeiro boletim com resultados; o de que a oposição não teve acesso aos locais de contagem dos votos; e o de que a vantagem dos vencedores, o "não", foi superior à divulgada oficialmente. Díaz rebateu os três.

Segundo ele, a demora na divulgação dos primeiros resultados deveu-se a acordo entre governo e oposição para que os números só viessem a público depois de apuradas 90% das urnas.

Mesmo assim, a divulgação saiu com 87% da apuração completa, a fim de diminuir a ansiedade das partes.

Díaz disse ainda que a oposição teve total acesso à apuração e que quem duvidasse da diferença entre as votações poderia olhar o site da CNE, onde está tudo discriminado. Ele atribuiu os dois primeiros novos mitos ao eurodeputado espanhol Luis Herrero Tejedor, um dos 20 observadores internacionais do referendo. Tejedor havia contado numa entrevista os supostos problemas que vira no domingo. (das agências de notícias)

Presidente viu no país "despreparo"
 
O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, afirmou que a sua derrota eleitoral no domingo pode se dever ao fato de que a sociedade venezuelana ainda não está madura para assumir uma proposta socialista como a proposta na reforma constitucional. A explicação foi dada durante uma entrevista ao canal estatal Venezolana de Televisión.

"É possível que ainda não fosse o momento. Será preciso amadurecer mais e continuar construindo o nosso socialismo", disse Chávez. Ele reconheceu que na segunda-feira à noite se perguntou se "havia se equivocado" ao propor a reforma rejeitada nas urnas.

Chávez disse que é preciso continuar trabalhando intensamente para convencer os setores de classe média de que seriam beneficiados por um modelo socialista. Além disso, opinou, o "bombardeio midiático" provocou dúvidas em muitos "chavistas" que não foram votar no domingo.

"Vamos analisar o que aconteceu. A oposição manteve a votação de dezembro de 2006, mas nós tivemos 3 milhões de votos a menos", comentou o governante. Nas eleições presidenciais de dezembro de 2006, Chávez recebeu 7,3 milhões de votos, contra 4,3 milhões do candidato de oposição Manuel Rosales. Ontem, a oposição conseguiu 4,5 milhões de votos para o "não" à reforma contra 4,3 milhões do "sim". (das agências)

Bush: "Voto na democracia"

Mais uma vez, o presidente norte-americano, George W. Bush, evitou mencionar o nome de Hugo Chávez. Instado a comentar em Washington o resultado do referendo popular de domingo na Venezuela e o fato de o líder daquele país ter dito que um voto pelo não seria um voto a favor de Bush, o presidente respondeu: "O povo venezuelano rejeitou o governo unipessoal. Eles votaram pela democracia e os Estados Unidos podem fazer diferença na América do Sul quanto à influência venezuelana".

Uma das maneiras, segundo Bush, é aprovar tratados de livre comércio com países da região, como a Colômbia, que atualmente enfrenta resistência da maioria do Partido Democrata de um Congresso dominado pela oposição nos EUA.

"O maior medo na América do Sul não é o líder da Venezuela, mas o temor pela estabilidade caso o Congresso dos EUA rejeite o acordo de livre comércio com a Colômbia", disse. Horas depois, o Senado aprovou tratado semelhante com o Peru, que já havia passado pela Câmara.

O presidente da Bolívia, Evo Morales, destacou a decisão de Chávez convocar o referendo para decidir uma reforma constitucional. Conclamou os opositores de seu país a não temerem uma consulta semelhante sobre a nova Carta Magna.

Fonte: Jornal O Povo

Última atualização: 05/12/2007 às 11:03:00
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