Dezenas de milhares de opositores saíram às ruas ontem, em Caracas, para realizar o último protesto contra a reforma socialista da Constituição, que concede amplos poderes ao presidente da Venezuela, Hugo Chávez, e será submetida a referendo no próximo domingo. A gigantesca manifestação contra as mudanças reuniu estudantes e todos os grupos políticos de oposição, sem exceção, ocupou plenamente a simbólica avenida Bolívar, no centro da capital, até então reduto dos chavistas.
A manifestação foi integrada, principalmente, por jovens. Muitos participantes vestiram camisetas que mostravam uma mão aberta (símbolo dos estudantes) ou a palavra não. O presidente do diretório da Universidade Central da Venezuela (UCV), Ricardo Sanchéz, disse aos jornalistas que "os estudantes têm muitas coisas para fazer e trabalhar para centralizar os esforços para o próximo dia 2 de dezembro".
Com a nova constituição, Chávez promete a revolução na revolução e a construção do socialismo do século XXI, com reeleição presidencial indefinida, mandato do presidente aumentado de seis para sete anos, a criação de uma economia socialista e a constituição de um poder popular baseado em comunidades autogovernadas. O governo tem denunciado alegados planos de violência e desestabilização.
Stalin González, um dos líderes estudantis da UCV, afirmou que os jovens votam no não para evitar que "o país continue polarizado e com a sociedade dividida". A mais recente pesquisa, publicada pelo instituto privado Hinterlaces, prevê uma votação extremamente apertada, com uma ligeira vantagem para o não, que aparece com 46% das intenções de voto, contra 45% para o sim.
O governo norte-americano pediu aos venezuelanos que exerçam "seu direito inalienável" de votar no referendo de domingo. É o que declarou um porta-voz do Departamento de Estado, que pediu para não ser identificado. Mas evitou dar uma sugestão de voto. O governo dos Estados Unidos evitou sugerir aos venezuelanos que votem contra a reforma que daria mais poder a Chávez, com o qual mantém tensas relações e freqüentes trocas de acusações. (das agências de notícias)
Fonte: Jornal O Povo
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