Os violentos protestos na capital oficial da Bolívia, Sucre, aumentaram ontem, deixando até o momento um saldo de três mortes e um cenário de violência e saques, provocado pela aprovação na Assembléia Constituinte do anteprojeto de uma nova Carta Magna sem a presença da oposição.
Estavam presentes 136 dos novos constituintes. A partir de agora a Constituição deverá ser aprovada artigo por artigo.
O texto deixou de ser lido em plenário devido a tensão na cidade. Uma das propostas mais polêmicas defendidas pelos governistas era a introdução da reeleição indefinida para presidente. Hoje, o mandato presidencial é de cinco anos e sem reeleição seguida.
O presidente Evo Morales participou no mesmo dia de uma cerimônia pública na capital administrativa La Paz, sem fazer qualquer comentário sobre a situação em Sucre. Morales deseja uma nova Carta Magna para impulsionar sua política de mudanças, que inclui a recuperação de recursos naturais em favor do Estado.
Os fortes choques ocorridos em Sucre, nas proximidades de um colégio militar, onde a Constituinte era deliberada, deixaram três mortos, um no sábado e dois ontem, incluindo um policial, e centenas de feridos, um deles em coma profundo. Os manifestantes, especialmente alunos, destruíram parte do quartel de bombeiros de Sucre, onde foram queimados 10 veículos.
Também foram saqueadas e incendiadas guarnições da Polícia de Trânsito. A violência, que já era grande no sábado, aumentou ainda mais ontem, após ser divulgada a morte, a tiros, do advogado Gonzalo Durán, que teve seu corpo velado na praça de Armas de Sucre.
O caos aumentou após a terceira morte registrada, de um policial, o que levou o comandante da Polícia da Bolívia, general Miguel Vásquez, a retirar a tropa da cidade. Vásquez afirmou que o policial Jimmy Quispe havia sido seqüestrado e executado por populares. (das agências de notícias)
Fonte: Jornal O Povo |