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Notícias

  12/11/2007 

Chávez insinua que Juan Carlos apoiou golpe de 2002

SANTIAGO - As relações entre o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, e os líderes do governo espanhol ficaram ainda mais tensas ontem, quando o venezuelano insinuou que o golpe de Estado cometido em Caracas em 2002 teve a aprovação do rei Juan Carlos. A acusação veio um dia depois do bate-boca protagonizado por Chávez e o monarca, durante o encerramento da XVIIª Cúpula Ibero-americana em Santiago, no Chile.

Chávez afirmou que Manuel Viturro, embaixador espanhol na Venezuela na época do golpe, sabia da conspiração contra ele e teria acompanhado o presidente interino Pedro Carmona ao Palácio Miraflores. "Senhor rei, responda, o senhor sabia do golpe de Estado contra a Venezuela, contra seu governo democrático e legítimo?", perguntou Chávez durante um breve encontro com jornalistas antes de deixar Santiago ontem e voltar para Caracas.

"Porque é muito difícil pensar que o embaixador espanhol esteja no palácio apoiando os golpistas sem a autorização de sua Majestade, porque é o rei quem dirige a política exterior." A presença de Viturro no palácio durante o golpe, no entanto, nunca foi confirmada. Em 11 de abril de 2002, Chávez foi destituído do poder após Carmona ser nomeado presidente interino e assinar um decreto suspendendo a Constituição venezuelana e dissolvendo o Congresso.

Dois dias depois o golpe fracassou e Chávez voltou ao poder. O presidente venezuelano aproveitou ontem para responder às críticas do monarca espanhol, dizendo que este não tinha o direito de mandá-lo ficar quieto. "Exijo respeito porque também sou um chefe de Estado", afirmou o venezuelano. "Ele (o rei) é tão chefe de Estado quanto eu, com a diferença de que fui eleito três vezes." O rei Juan Carlos da Espanha, em um gesto sem precedentes, deixou no sábado o plenário da cúpula, em protesto às críticas feitas pelo líder venezuelano ao ex-chefe de governo espanhol José María Aznar (1996-2004).

Asnar
Chávez chamou Aznar de "fascista" e o acusou de ter apoiado o golpe na Venezuela em abril de 2002. O atual premiê da Espanha, José Luis Rodríguez Zapatero, já havia se queixado com Chávez por seus ataques a Aznar, mas o presidente venezuelano respondeu afirmando que tinha direito de se expressar. Nesse momento, o rei espanhol apontou o dedo para Chávez e disse: "Por que não se cala?"

Mal-estar na delegação espanhola
Na seqüência, o presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, começou a criticar a atuação de uma empresa espanhola, então, o rei decidiu deixar o local antes da execução do hino chileno, que marcou o fim dos debates em Santiago. De acordo com Zapatero, o rei Juan Carlos tomou essa atitude para "manifestar o mal-estar da delegação espanhola" causada pelas críticas feitas durante a cúpula. Na noite de sábado, Chávez criticou o comportamento do rei Juan Carlos e afirmou que o monarca não tinha o direito de ter se portado daquela maneira.

"Estava dizendo a verdade na qual acredito, portanto não tenho nada a responder ao rei", disse o presidente, que fez questão de reiterar todas as críticas que havia feito a Aznar. Ontem, Chávez recebeu o apoio do líder cubano, Fidel Castro, que elogiou a atuação do venezuelano na reunião do Chile. "A crítica de Chávez à Europa foi demolidora", afirmou Fidel em mais um de seus artigos publicados na imprensa oficial de seu país.

No entanto, o revolucionário cubano não mencionou a troca de farpas entre Chávez e o monarca espanhol. Já a delegação espanhola recebeu grande respaldo de suas atitudes na Espanha. O principal jornal espanhol, El País, afirmou que o rei "representou seu papel", mas que sua atuação o deixou muito exposto. O jornal El Mundo colocou em sua primeira página a manchete "As cinco palavras que Chávez merecia escutar há tempos".

Aznar também manifestou seu apoio ao rei e a Zapatero, a quem telefonou para agradecer a defesa feita pelos dois após às críticas remetidas contra ele. Zapatero agradeceu o telefonema de Aznar e aproveitou para assegurar que o incidente envolvendo figuras políticas dos dois países não vai causar efeito algum nas relações entre Espanha e Venezuela.

Fonte: Tribuna da Imprensa

Última atualização: 12/11/2007 às 12:21:00
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