Fale Conosco       Acesse seu E-mail
 
Versão para impressão Diminuir tamanho das letras Voltar Página inicial Aumentar tamanho das letras


Notícias

  26/10/2007 

Que modelo de sistema financeiro queremos para a América Latina?

O capitalismo é o sistema econômico dominante no mundo. Apesar de alardeado como o modelo para a geração de riqueza, o que realmente o é, é também o sistema que concentra a renda nas mãos de poucos e que prega o lucro a qualquer preço, filosofia essa que produziu ao longo dos tempos infinitas mazelas aos povos: pobreza, guerras, destruição ambiental, crimes e corrupção sem igual. Uma de suas vertentes de sustentação é o capital financeiro, que circula livremente entre os países, buscando espaços propícios para alimentar sua sede por maiores lucros, sem preocupação com o desenvolvimento social, mas visando apenas o mercado – seja ele consumidor ou potencial gerador de riqueza, através da exploração da mão-de-obra e especulação de toda sorte.
 A política traçada pelos países ricos - a exemplo dos EUA, Europa e Japão - em defesa do capitalismo exige o alinhamento dos países às regras impostas ao sistema financeiro e imprime maior concentração para operação (Consenso de Washington, Acordo de Basiléia, etc). Qualquer tentativa autônoma dos países é vista como insubordinação e duramente criticada.
 Os governantes da América Latina, salvo alguns casos, não têm tido uma ação de enfrentamento ao neoliberalismo. Tomando como exemplo o caso do sistema financeiro brasileiro: as fusões entre bancos são incentivadas ao mesmo tempo em que há um esvaziamento e desmonte dos bancos públicos, na lógica da maior concentração do sistema e da diminuição da ação social dos bancos, com a perspectiva, se não devidamente combatida, da tomada dos recursos públicos para satisfação das grandes corporações internacionais.
 O caso do Banco do Brasil e dos bancos de desenvolvimento é simbólico. O BB vive – não de hoje – um processo de privatização branca. Ajustes, metas, formas de trabalho, relação com o trabalhador... tudo nos moldes de um banco privado. A campanha publicitária atual representa bem essa visão: o Banco deixa de ser do Brasil e passa a ser do indivíduo. O sentido é figurado mas deixa subentendido o que a empresa quer dizer.
 Com os bancos federais de desenvolvimento – Banco do Nordeste e Banco da Amazônia – a situação é pior: vivem sob constantes ameaças, não são prioridades para o Governo Federal, a repercussão de suas ações fica restrita ao âmbito em que atuam, criando uma falsa impressão nas regiões sul e sudeste – onde estão os “tomadores de decisão” – de que não são atuantes e, portanto, são dispensáveis; seus trabalhadores, apesar de desenvolverem atividades de grande importância para a região e consequentemente para o país, não são tratados com o devido respeito, tendo salários e benefícios rebaixados em relação aos trabalhadores de outros órgãos federais.
 A mais nova ameaça diz respeito ao interesse do BB em incorporar tais bancos, para atender à competitividade do mercado. Acontece que a missão e a prática desses bancos de desenvolvimento não estão necessariamente alinhadas às demandas de mercado. Seu caráter é diferente. A meta é o desenvolvimento e a superação das desigualdades sociais, conceitos praticamente desconhecidos das empresas privadas.

 Os povos da América Latina devem discutir, combater e exigir mudanças radicais em seus países. Devem também pensar formas de lutas conjuntas que ponham por terra esse modelo que tem trazido maior concentração de renda e que só beneficia os grandes empresários.

O alinhamento às regras internacionais do sistema financeiro não deveria interessar aos países da América Latina. A pauta pública e política latino-americana deve ser outra. Deve ser a da democratização do crédito, da habitação, do atendimento aos pequenos produtores, da reforma agrária, da justiça social... bandeiras que não têm importância do ponto de vista do imperialismo, mas que devem estar na ordem do dia dos movimentos sociais, sobretudo na América Latina.
 
Nós, povos da América Latina, devemos lutar pelo fim do alinhamento político às regras internacionais do sistema financeiro; por normas que imponham limites à concentração do sistema financeiro; pela democratização do crédito; pela reestatização dos setores estratégicos que foram privatizados; contra a usurpação do dinheiro do povo, com tarifas e taxas abusivas, e pelo fortalecimento dos bancos públicos, com o devido resgate de seu papel social. 

Fonte: AFBNB
Última atualização: 26/10/2007 às 10:42:00
Versão para impressão Diminuir tamanho das letras Voltar Página inicial Aumentar tamanho das letras

Comente esta notícia

Nome:
Nome é necessário.
E-mail:
E-mail é necessário.E-mail inválido.
Comentário:
Comentário é necessário.Máximo de 500 caracteres.
código captcha

Código necessário.
 

Comentários

Seja o primeiro a comentar.
Basta preencher o formulário acima.

Rua Nossa Senhora dos Remédios, 85
Benfica • Fortaleza/CE CEP • 60.020-120

www.igenio.com.br