A campanha salarial deste ano no BNB não pode ser encarada como um fracasso graças à disposição e coragem de companheiros e companheiras do BNB em alguns estados que, contrariando a orientação “oficial” da coordenação da Comissão Nacional dos Funcionários do BNB, ousaram cruzar os braços e lutar pelos seus direitos.
Afinal, o que fazer senão mostrar sua indignação através de paralisações diante de uma proposta que envergonha o trabalhador de um banco de desenvolvimento? O que fazer diante da tão alardeada promessa de adesão à mesa única quando na hora do acordo a conversa é outra? O que fazer diante de tantas condicionantes (“se” o Dest aceitar; “se” o Banco atingir lucro tal; abonar dias parados “se” assinarem acordo agora...)?
Por essa coragem de não abrir mão de direitos conquistados a tão duras penas – como o próprio direito à greve – e por compartilhar da idéia de que a proposta é rebaixada e não atende aos anseios dos funcionários é que a diretoria da AFBNB registra seu apoio e solidariedade aos trabalhadores das bases onde ocorrerem movimentos e greves, bem como aos seus dirigentes sindicais, que cumpriram seu papel enquanto tais, mobilizando e estimulando os trabalhadores a não aceitar proposta não satisfatória de forma pacífica.
As paralisações foram resultado do trabalho de mobilização dos sindicatos e da decisão soberana e democrática das bases que decidiram por elas em assembléia. São, portanto legítimas! Neste sentido, a diretoria da AFBNB reafirma seu apoio àqueles que fizerem greve e repudia as declarações de dirigente do Sindicato dos Bancários do CE, que classificou os colegas como “irresponsáveis” ao fazerem greve por não estarem em consonância com orientação da coordenação da CNFBNB (que orientava as assembléias para o dia 16). Na Bahia e em Sergipe, por exemplo, exercendo a autonomia que cabe aos sindicatos, as assembléias foram realizadas no dia 15 e a estratégia – legítima, reforçamos – escolhida para pressionar o Banco a apresentar nova proposta foi a paralisação durante todo o dia de ontem.
A Diretoria da AFBNB entende que tal declaração é característica de quem não tem a menor afinidade com o trabalho que desenvolve e a menor compreensão do que seja a luta de classes, além de demonstrar falta de respeito com aqueles dirigentes que cumprem o seu papel.
Consideramos que a adjetivação direcionada aos dirigentes sindicais e aos trabalhadores que fizerem greve – “irresponsáveis” – cabe muito bem a quem não cumpre o seu papel com autenticidade e autonomia, não mobilizando suas bases e induzindo a categoria a aceitar um acordo rebaixado que nem de longe aponta na perspectiva de recuperação das perdas salariais e de direitos subtraídos, pela absoluta falta das condições objetivas para tal, materializadas no imobilismo e na conciliação. |