Ontem, terça-feira, foi dia de realização de assembléias de bancários em vários estados. No Maranhão e em Sergipe, a deliberação realizada em assembléia unificada foi pela greve em todos os bancos.
Em Sergipe, todas as agências do BNB pararam – Aracaju-Centro, Boquim, Estância, Laranjeiras, Lagarto e N. Sra. das Dores – além da Central de Apoio Operacional (Cenop-Aju), Conaj-Aracaju, Unidade de Controle Interno, Unidade de Recuperação de Crédito e Superintendência Regional.
Na Bahia, apenas a CEF decidiu pela greve. Os bancários do BNB voltarão a se reunir após a rodada de negociação de amanhã. Alagoas acatou a proposta da Fenaban e não haverá greve.
No Ceará, BB e CEF param a partir de hoje. A decisão dos funcionários do BNB foi pela mobilização até a próxima reunião de negociação com o Banco (marcada para amanhã). Após a negociação, nova assembléia será realizada na terça-feira (dia 9) para decidir ou não pela paralisação. Em Pernambuco, a deliberação foi semelhante ao Ceará, mas a assembléia naquele estado será realizada hoje.
A assembléia dos bancários cearenses foi realizada de forma separada entre os bancos, fato criticado por muitos dos participantes. “Isso foi muito ruim porque fragmentou e quebrou a unidade do movimento, o que prejudica a campanha unificada”, avalia Dorisval de Lima, diretor de comunicação e cultura da AFBNB.
Para ele, os bancos federais estão isolados, o que leva à reflexão acerca do modelo de negociação que temos e se ele atende de fato às especificidades das instituições. “A Fanaban discute questões da Fenaban. Os bancos públicos deveriam negociar com seu patrão, que é o governo federal”. No primeiro semestre desse ano, por exemplo, o Governo Federal concedeu reajuste a título de reposição de perdas para funcionários em cargos comissionados que variou de 30,57% a 139,75%.
Enquanto isso, segundo levantamento do Dieese do Sindicato dos Bancários da Bahia, de 1995 a 2002, os funcionários do BNB tiveram perda de 39,03% e, já na gestão Lula, tiveram perdas salariais acumuladas até este ano de 5,40%, enquanto a inflação apurada pelo Dieese no período de 2003 a 2006 foi de 34,25%.
Proposta Fenaban - Na negociação realizada nesta segunda-feira, os representantes dos bancos apresentaram proposta econômica para toda a categoria. Entre os principais pontos estão reajuste de salários e benefícios com aumento de 6%, pagamento da 13ª. Cesta-Alimentação no valor de R$ 252,36, incorporada na Convenção Coletiva Nacional e nova regra para pagamento da Participação nos Lucros e Resultados.
No caso da PLR, a regra básica seria de 80% dos salários mais R$ 878, com parcela adicional de 8% da variação do lucro líquido do banco entre 2006 e 2007.
Diante do quadro de greve no BB e na CEF, temos a necessidade de buscar a unificação da luta entre os bancos públicos federais, fortalecendo o movimento e dessa forma pressionar para que se estabeleça a mesa de negociação com o governo federal, ao qual essas instituições são vinculadas. Dessa forma, será possível conquistar perdas salariais, com índices satisfatórios, a exemplo dos trabalhadores do Banco Central que, após 43 dias de greve, conseguiram reajuste médio de 32%. |