Pesquisa divulgada esta semana pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) revela que os programas de transferência de renda com condicionalidades (PTRC), como o Bolsa Família, contribuíram para a queda da desigualdade no Brasil na última década. De acordo com o estudo, ações como estas geraram uma redução de 21% no coeficiente de Gini brasileiro, índice que mede a desigualdade de distribuição de renda em uma sociedade.
A custos relativamente baixos, os programas de transferência de renda implantados no Brasil, México e Chile têm acentuado impacto na redução da desigualdade social e chegam, de fato, aos mais pobres. É o que comprova um estudo inédito, que compara a iniciativa nos três países, realizado pelo Ipea e divulgado nesta terça-feira (31).
De acordo com o estudo, 80% dos recursos dos programas de transferência de renda das três nações chegam aos 40% mais pobres, o que, segundo os pesquisadores, demostra uma "ótima focalização". Foi avaliado o impacto do Bolsa Família, presente em cerca de 11 milhões de lares brasileiros, do Oportunidades, que atende cinco milhões de famílias mexicanas, e o Chile Solidário, que transfere renda a 225 mil famílias. Os investimentos nestas iniciativas representam menos de 1% da renda total dos países investigados na pesquisa.
Como há um maior número de atendidos no Brasil e no México, o impacto na queda da desigualdade nos dois países é maior do que o verificado no Chile. Entre os brasileiros e mexicanos, essas ações foram responsáveis por 21% da redução da desigualdade, enquanto no Chile o programa teve um impacto de 15%, mas como não houve variação nos índices de desigualdade no país, o efeito foi praticamente nulo.
No período analisado (de meados dos anos 90 à metade da década atual), houve queda na desigualdade tanto no México como no Brasil e estabilidade no Chile. O coeficiente de Gini (que mede a desigualdade de renda) caiu 2,8 pontos no Brasil e 2,7 no México, o que representa uma redução de aproximadamente 5% na desigualdade nos países. No Chile, essa queda foi de 0,2 %.
De 1995 a 2004, o índice de Gini caiu de 0,5985 para 0,5711 no Brasil, uma redução de 0,0274. No México, de 0,5374 para 0,5103 (redução de 0,0271) e no Chile, de 0,5630 para 5620 (0,001). Quanto mais próximo de zero, menor é a desigualdade.
"O sucesso do Brasil e do México na redução da desigualdade se deve também a programas de transferência de renda que são tanto bem focalizados, quanto massivos", relata o estudo produzido pelos pesquisadores Sergei Soares, Rafael Osório, Fábio Veras, Marcelo Medeiros e Eduardo Zepeda.
Na avaliação dos pesquisadores, "os programas têm, a seu favor, impactos reais e significativos em várias dimensões da vida das parcelas mais pobres da população dos países que os adotaram". O documento está disponível no endereço eletrônico www.ipea.gov.br/.
Fonte: Linha Aberta |