De janeiro a junho deste ano, o Banco do Nordeste do Brasil (BNB) contratou R$ 3,4 bilhões em empréstimos e financiamentos - 2,1% a mais que em igual período de 2006. O semestre terminou com uma demanda para novas contratações que soma, somente no âmbito do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE), mais R$ 2,7 bilhões. O presidente da instituição, Roberto Smith, disse que esperava um pouco mais. Mas avaliou que se forem consideradas as propostas já aprovadas e em fase de contratação, da ordem de R$ 800 milhões, o banco vai alcançar a meta anual estabelecida pelo FNE, que é de R$ 4,8 bilhões. Smith ressaltou que a recuperação de créditos vencidos neste semestre supera todo o ano passado. Em 2006 passou de R$ 393,5 milhões contra R$ 437,5 milhões no primeiro semestre deste ano. "Vamos chegar a R$ 1 bilhão", comenta. Considera que grande parte desse total é reflexo das renegociações das dívidas rurais a partir da lei 11.322. Ele aproveita para alertar que o prazo para renegociar, que terminaria este mês, foi estendido até o final do ano. O presidente também lembrou que desde que assumiu em 2003 foram recuperados mais de R$ 3,3 bilhões. Roberto Smith também destaca as operações com o Crediamigo. Foram 380 mil operações nos primeiros seis meses do ano, o que significa 3,34 mil operações por dia. "Em 2002 eram 1.200 operações/dia". Adianta que as contratações este ano devem superar mais de R$ 700 milhões. O presidente destaca que a queda dos juros aumentou a procura e que esta é uma área que está dando retorno. "Não é benevolência, esse setor dá sustentação ao banco", afirma, ponderando que a inadimplência fica ao redor de 1%. No primeiro semestre deste ano, o Crediamigo contratou 113,2 mil operações (25 mil a mais do que nos primeiros seis meses de 2006), perfazendo um total de R$ 92 milhões em empréstimos, um crescimento de 34,7%. Já o Programa de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) cresceu 14,6% em quantidade de operações e 22,2% em relação ao valor financiado. De janeiro a junho deste ano, os financiamentos no âmbito do Pronaf somaram R$ 101,7 milhões, em 46,7 mil operações de crédito que beneficiaram milhares de agricultores familiares do Estado. As operações de crédito realizadas pelo BNB no primeiro semestre deste ano no Ceará tiveram incremento de 45,5% em comparação ao mesmo período do ano passado, saltando de R$ 306,4 milhões para R$ 445,9 milhões. Deste total, R$ 189,8 milhões foram destinados ao setor rural, (crescimento de 84%), R$ 197,1 milhões ao de comércio e serviços e R$ 58,9 milhões ao setor industrial. Foco nas micros e pequenas é estratégico para Região Na análise da Área de Negócios do BNB, os números do semestre passado evidenciam a resposta ao grande esforço empreendido em algumas frentes, como a estratégia de apoio às micro e pequenas empresas (MPEs). "Estamos focando muito a micro e pequena empresa, segmento que é realmente a base da economia do Nordeste e onde efetivamente se gera mais emprego na Região. Assim, estamos fazendo uma quantidade maior de operações de menor valor, o que resulta em maior democratização do crédito", informa o diretor de Negócios, Assis Arruda. De acordo com o superintendente estadual do Ceará, Isidro Morais Siqueira, o crescimento das aplicações no Estado deve-se ao trabalho realizado pelas agências, no sentido de fortalecer e ampliar parcerias com entidades que auxiliam o Banco no contato com os clientes, agilizando principalmente o atendimento a micro e pequenos empresários e produtores rurais. Entre os principais parceiros, ele cita as unidades do Sebrae, Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL), Sindicatos de Trabalhadores Rurais e Secretarias de Agricultura municipais. Para o restante do ano, Isidro Siqueira avalia que os recursos destinados pelo BNB à economia cearense devem continuar em expansão. "O desafio da nossa equipe é chegarmos a R$ 1 bilhão em negócios no Ceará e, desse total, pelo menos R$ 750 milhões com recursos do FNE", afirma. (AD)
Fonte: Jornal O Povo - Economia |