O ministro Guido Mantega (Fazenda) afirmou ontem que apesar de a queda nas taxas de juros ao consumidor, elas ainda são muito "exageradas''. Ele citou como exemplo o crédito consignado, que tem hoje taxa média de 32,4% ao ano. "A taxa ainda é muito exagerada para o consumidor brasileiro. Ela já foi de 100% ao ano, mas isso era em uma outra época e era um disparate. Ainda dá para descer mais esse patamar. Dessa forma, poderemos ampliar o consumo'', afirmou o ministro em audiência pública na Comissão de Defesa do Consumidor da Câmara dos Deputados.
O ministro lembrou das medidas que foram tomadas nos últimos anos para a ampliação do crédito e redução das taxas de juros, como a criação do crédito consignado e a Lei de Falências. Incluindo operações para pessoas físicas jurídicas e crédito direcionado, o crédito disponível equivalia, em março, a 31,3% do PIB, contra 24,2% do PIB em dezembro de 2002.
No caso dos spreads (diferença entre o que as instituições financeiras pagam para captar recursos e as taxas cobradas nos empréstimos), ainda considerados elevados pelo ministro, o objetivo do governo é trabalhar em medidas que possam incentivar a concorrência e estimular que as instituições financeiras reduzam as taxas cobradas.
Ele lembrou que o aumento do volume de crédito no País ocorre, principalmente, nas linhas voltadas ao consumidor. De acordo com o ministro, em quatro anos esse volume passou de R$ 80 bilhões para R$ 340 bilhões. "Isso explica, em parte, o aumento do consumo, assim como a maior renda e o aumento doe emprego.''
Apesar de o aumento do crédito, ele lamentou o fato de as linhas de financiamento voltadas para a aquisição de imóveis ainda terem um volume baixo e de alto custo. Neste ano, o crédito imobiliário deve movimentar cerca de R$ 20 milhões, segundo o ministro. "O importante não é só elevar o volume. Mas também reduzir o custo desse crédito.''
O crédito imobiliário no Brasil representa apenas 1,7% do PIB. No Chile, esse percentual chega a 13% e, nos Estados Unidos, a 69%.
Na audiência, Mantega e o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, tentaram justificar as atuais tarifas cobradas pelas instituições financeiras. Meirelles disse que o Banco Central tem trabalhado para aumentar a competição entre os bancos e reduzir o índice concentração bancária.
Fonte: Jornal O Povo |