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Notícias

  11/06/2007 

Capitalismo não tem resposta para o aquecimento global

No Dia Mundial do Meio Ambiente, comemorado na semana passada, o aquecimento global deve continuar monopolizando os debates sobre o futuro do homem e da natureza. Isso porque, em fevereiro, um relatório gerou certo incômodo na opinião pública, ainda que não se tratasse de uma novidade. Os cientistas do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês) reforçaram a tese de que o modo de produção industrial iniciado no século 18 elevou o clima no planeta em 0,8 grau centígrado. A expectativa é de que o aumento chegue a 1,5 grau nos próximos 20 anos, causando uma catástrofe que vai atingir os povos de países que em nada contribuíram para essa situação. Os países da África, por exemplo. Em todo o mundo, o aumento do nível dos mares ou a seca no campo deve forçar mais de 250 milhões de pessoas a refugiar-se longe de casa.

O aumento da temperatura é causado pela emissão de gás carbônico (CO²) na atmosfera, devido à queima de combustíveis fósseis. Desde os anos 1990, os países mais ricos se comprometeram a reduzir a emissão de gases, mas pouca coisa foi feita até aqui. O modelo energético atual se apóia no tripé carvão, gás e petróleo, que serão responsáveis por 85% do crescimento de energia entre 2005 e 2030 (IEA/2005). A triste ironia é que o mundo deveria, até essa mesma data, cortar mais de 50% das emissões de CO². A queima do carvão mineral, por exemplo, alimenta as usinas termoelétricas e é muito usada pela economia da China, um dos três maiores poluidores mundiais.

Porém, nenhuma proposta de mudança questiona o atual modo de produção capitalista. E as alternativas para reduzir o CO² na atmosfera são apresentadas dentro do oportunismo do mercado de capitais. Enquanto isso, a previsão do relatório do IPCC aponta que, até 2080, é possível que de 1,1 bilhão a 3,2 bilhões de pessoas sofram com falta de água e de 2 a 7 milhões de pessoas por ano sejam atingidas por enchentes.


Insustentável

Na opinião de Washington Novaes, jornalista e pesquisador do tema, a economia atual é insustentável e desigual, e não pode ser estendida para todos os países. Se todos os países do mundo tivessem os níveis de produção e consumo de Estados Unidos, Japão e Europa, o desastre seria muito mais acelerado. "Se o PIB [produto interno bruto]mundial hoje gira em torno de 30 a 40 trilhões de dólares, imagine se cada país atingisse uma taxa média de crescimento de 3,5%. Chegaríamos [por volta da metade deste século] a um PIB mundial de 150 trilhões de dólares e não temos recursos naturais capazes de sustentar esse crescimento", aponta.

A lógica que deveria prevalecer – Novaes exemplifica – é evitar o desperdício que se dá nas vias de expansão de energia, ao invés de novos projetos de hidrelétricas, como ocorre na Amazônia. O botânico e ex-professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Gastão Octávio da Luz, acrescenta que o aquecimento global está diretamente ligado ao modelo econômico no qual o país se insere. "Por que a construção de duas hidrelétricas no rio Madeira? Para beneficiar a região de Rondônia ou para fornecer energia para o Sudeste?", questiona.

O ano que vem será importante para o debate. Em 2008, vai haver eleição nos Estados Unidos. O país, maior poluidor mundial, recusa-se a assinar o protocolo de Kyoto, mesmo tratando-se de um documento conservador. Haverá também outra reunião do G-8 (grupo dos sete países mais ricos do mundo, mais a Rússia) que vai determinar as metas dos países para 2012, como aponta Novaes.


Socialismo e ecologia

O marxista Michael Löwy defende que o debate sobre o meio ambiente torna ainda mais urgente a tomada dos meios de produção pela classe trabalhadora, para que o modo de produção capitalista seja redefinido. Ao mesmo tempo, ele vê que o socialismo encontra na ecologia a sua crítica, visto que a esquerda por anos negou o debate sobre o assunto.

"O aquecimento global não é resultado do ‘homem’, mas do capitalismo. Os documentos dos cientistas não tratam disto. É tarefa nossa, enquanto marxistas, explicar esta verdade elementar: o capitalismo é o grande responsável pela catástrofe climática que se aproxima", expõe Löwy, em entrevista por e-mail ao Brasil de Fato.

As alternativas apresentadas pelo capitalismo (tal e qual o mercado de direitos de poluir, seqüestro de carbono, biocarburantes, energia nuclear etc.), segundo Löwy, não curam a ferida de uma humanidade em vias de extinção. "O problema do aquecimento global é gigantesco e exige respostas radicais: mudança da estrutura do sistema energético, substituição dos combustíveis fósseis pela energia eólica e solar, transformação radical do aparelho produtivo e dos padrões de consumo capitalistas. Em outras palavras, será necessária uma mudança do paradigma de civilização e uma planificação socialista, democrática e ecológica da economia", pondera.

Países hegemônicos não respeitam compromissos assumidos

Em 1990, a Organização das Nações Unidas (ONU) promoveu a Convenção – Quadro sobre a Mudança de Clima, onde se definiu que os países industrializados deveriam diminuir em 5,2% a emissão de gás carbônico (CO²) para o atmosfera. Em 1997, o compromisso foi regulamentado na Convenção de Kyoto. Porém, os países dominantes encontraram uma forma de inverter o jogo a seu favor.

Ao invés de criar instrumentos públicos para diminuir a emissão de poluentes, adotaram os Mecanismos de Desenvolvimento Limpo (MDL). Com isso, o direito de não poluir podia ser comprado na bolsa de valores, permitindo assim que as transnacionais seguissem poluindo em suas zonas industriais, dentro ou fora dos países de origem. Tal política é conhecida como "seqüestro de carbono".

Porém, em meio a isso, os meios de comunicação se voltam para a análise do ex-candidato à Presidência dos Estados Unidos, Al Gore, para quem os empresários podem fazer da preservação do planeta mais uma chance para fechar um bom negócio.

Fonte: Brasil de Fato

Última atualização: 11/06/2007 às 11:55:00
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