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Notícias

  01/06/2007 

O slogan da liberdade de expressão para defender a “liberdade de empresa”

O fim da concessão da emissora RCTV reviveu o debate sobre as necessidades não só de abrir novos espaços de comunicação, como também do que transmitir nesses canais. Para Gabriel Gil, membro da televisão comunitária Catia Tve, tanto o modelo de canais privados como o dos públicos devem ser revisados na Venezuela.

Na sua avaliação, a decisão de não renovar a concessão do canal RCTV é uma "conquista", um passo rumo à democratização dos meios de comunicação venezuelanos. "Quando defendemos um novo canal, estamos defendendo a desconcentração do poder porque haverá mais participação da sociedade". Sobre as ameaças da oposição em não acatar a decisão do governo, o que poderia resultar em cenários de violência, Gil afirma que o povo estará pronto para responder a qualquer tipo de desestabilização.

Brasil de Fato - O que significa para o debate sobre a democratização dos meios de comunicação não renovar a concessão do canal RCTV?

Gabriel Gil - Significa retirar o privilégio deste canal que está orientado por leis de mercado e que agora passará a ser gestionado por uma lei estabelecida por mulheres e homens. Passamos de um modelo anárquico capitalista para uma ordem social dos meios de comunicação. Não renovar a concessão da RCTV é uma conquista e um primeiro passo rumo à democratização dos meios de comunicação no nosso país.

A oposição argumenta que com esta decisão o presidente Hugo Chávez dá mais um passo na construção de um modelo autoritário de governo, limitando a liberdade de expressão.

O fato é que esses grupos sempre utilizam a palavra liberdade de expressão para defender a liberdade de empresa. Quando defendemos um novo canal estamos defendendo a desconcentração do poder porque haverá mais participação da sociedade. Hoje, temos este poder concentrado nas mãos de pequenos grupos. O modelo de democracia para eles se reflete no monopólio midiático e econômico, que agora chega a seu fim, por isso estão gritando. Gritam pelas ruas que na Venezuela não há liberdade de expressão com toda liberdade de expressão.

De que maneira os meios de comunicação privados têm atuado?

Uma das práticas mais recorrentes dos meios de comunicação venezuelanos é a criminalização dos movimentos sociais. Camponeses, operários, qualquer movimento organizado são considerados como vândalos. Isso se explica porque esses meios de comunicação não estão interessados em transformar a realidade, mas sim em manter o caduco modelo de acumulação de capital.

Nos últimos anos, os meios de comunicação na Venezuela passaram a ser os principais atores dos acontecimentos políticos do país, como por exemplo, o golpe de 11 de abril. Por quê?

Esses canais assumem o papel de partidos políticos porque primeiramente há um interesse de classe. A comunicação é uma ferramenta de articulação da sociedade. Os avanços em tecnologia da comunicação, o aumento do número de televisores nos lares ampliam essa capacidade. Por essa razão, os meios de comunicação assumem a tarefa de condução da organização política dessas pessoas, mas não em busca de um interesse comum e sim para alcançar e manter seus interesses particulares. Esse fenômeno se repete em todo o mundo.

A decisão venezuelana pode servir como um marco para os demais países da região?

Sem dúvida, o que acontecerá é um fato histórico, quando uma sociedade organizada decide administrar seu espectro radiolétrico. É um exemplo porque estamos avançando no sentido de romper com a ditadura midiática a caminho de democratizar os meios de comunicação.

De que se trata essa democratização dos meios de comunicação que se discute? Como garantir a participação da sociedade nesse debate?

Necessitamos trabalhar um novo sistema de comunicação que seja verdadeiramente dirigido pelo povo venezuelano. Esse processo é paulatino e requer participação e conscientização popular. Temos que fortalecer os meios comunitários porque são a base de comunicação de cada comunidade e, assim, ir aprofundando a discussão da comunicação popular com as organizações sociais de camponeses, operários, com os conselhos comunais.

A RCTV não é o único canal de TV privado venezuelano. Os demais canais também deveriam passar por um processo de revisão? Poderíamos incluir a TV Estatal no mesmo pacote?

Temos que pressionar para que as concessões dos demais canais também não sejam renovadas, inclusive a dos canais públicos, para assim ir reordenando todo o sistema de comunicação que ao final deve estar nas mãos do povo. O modelo de televisão estatal também está orientado sob conceitos capitalistas de produção, temos que rever isso, incluindo os meios comunitários que muitas vezes seguem o mesmo modelo dos grandes canais. Estamos em processo de transformação dessa sociedade rumo ao socialismo, e de uma maneira geral, a discussão sobre a comunicação social deverá passar por uma discussão profunda.

Nas últimas semanas temos visto alguma tensão por parte da sociedade, suposta crise no abastecimento de alimentos, etc. Você acredita que a oposição esteja preparando algum plano de desestabilização para as próxima semana, quando a RCTV sair do ar?

Pode acontecer qualquer coisa. O imperialismo não deixa de atuar e conta com aliados no país. No entanto, o povo está preparado e deu exemplo de organização durante o golpe, depois com a sabotagem petroleira, referendo, eleições de dezembro, enfim, qualquer ação que pretenda interromper o funcionamento do país vai ser respondida. Como disse Leon Trotsky, às vezes para avançar a revolução necessita do látego (chicote usado para açoitar) da contra-revolução. E daremos a resposta, aprofundando ainda mais revolução.

Fonte: Brasil de Fato

Última atualização: 01/06/2007 às 08:18:00
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