O auditório da Faculdade de Ciências Aplicadas e Sociais de Petrolina (FACAPE) esteve lotado na noite da última quarta-feira, durante o evento promovido pela AFBNB e pelo Centro de Pós-Graduação da FACAPE, para discutir pontos da publicação Por um Nordeste Melhor: proposta de estratégias de desenvolvimento regional.
Ao final do encontro, foi acordado entre a coordenação da Facape, a AFBNB e entidades presentes que voltarão a se reunir para conversar e deliberar acerca da formação de um comitê em Petrolina para dar seguimento a essas discussões.
A abertura do evento foi feita pelo presidente da AFBNB, José Frota de Medeiros, por Clemilda Barreto Alves (diretora-presidente da Autarquia Educacional do Vale do São Francisco), Wilson Rolim (diretor do Centro de Pós-Graduação, Pesquisa e Extensão da FACAPE), Waldenir Brito (coordenador do curso de pós-graduação da FACAPE e diretor da AFBNB) e pelos professores da instituição Márcio Araújo e Pedro Norberto, este último também vereador da cidade.
Coube a Medeiros palestrar sobre o tema e a Márcio Araújo debate-lo, mediados por Waldenir Brito. Para Waldenir, para pensar um projeto de desenvolvimento regional é preciso discuti-lo a partir da realidade local, de forma que se possa compor um projeto macro para toda a região. Medeiros acrescentou que “pensar em desenvolvimento regional é também buscar resolver problemas seculares do Nordeste”. Ele lembrou que para isso o Conselho Técnico fez diagnóstico da situação da região chegando a alguns pontos: baixa competitividade da economia regional; baixa produtividade do trabalho; baixa competitividade sistêmica e baixo Índice de Desenvolvimento Humano. Um dos fatores determinantes desse quadro é o baixo índice educacional da força de trabalho na região.
Ele ressaltou que para cada um desses pontos foram elaboradas estratégias, também levando em conta os desafios que precisam ser superados para a construção de uma política regional, como a adequação das políticas às escalas territoriais e a integração dos diferentes atores sociais, públicos e privados. Por fim, apresentou os onze pontos principais defendidos pela AFBNB para a construção de um outro modelo de desenvolvimento, desde que interligados entre si: conhecimento, infra-estrutura, crescimento econômico, semi-árido e gestão de recursos hídricos, inserção internacional, gestão ambiental, ordenamento territorial, inclusão social e distribuição de renda, financiamento e desenvolvimento institucional.
Questões como o modelo federativo e o papel do Estado também foram debatidas. “O pacto federativo deve ser de caráter solidário e cooperativo e o Estado deve intervir para corrigir as distorções no processo produtivo e a distribuição de renda”, defendeu Medeiros.
Para o professor Márcio Araújo, é preciso que se criem mecanismos dentro da própria região que possam corrigir as desigualdades intrarregionais. Ele questionou a distribuição do crédito, a estrutura do número de agências do BNB (180 agências do Banco para atender 1989 municípios na área de atuação do banco). Ele defendeu o crescimento do número de agências e de recursos disponíveis para o crédito. Para o professor, ao se discutir e construir um projeto de desenvolvimento, é preciso que essa discussão se interiorize e que não se isole em determinados centros, até porque dessa forma se identificaria as especificidades de cada local.
Ele destacou que a população da região significa a cerca de 28% da brasileira e que, no Congresso, a bancada nordestina corresponde a 1/3 dos senadores e a 30% dos deputados. Entretanto, esse poder político não se reverte em benefício para a região, no sentido de não haver uma mudança real no cenário de desigualdades econômicas na região, que responde apenas por aproximadamente 13% do PIB nacional.
Participantes: Estiveram presentes estudantes, professores de diversas universidades (Universidade Estadual da Bahia, Universidade do Vale do São Francisco), empresários, secretários de governo, organizações da sociedade civil organizada, diversos parlamentares, funcionários do BNB, além do Superintendente Regional da CODEVASF-Petrolina (Reginaldo Alves Paes), e do Prefeito de Petrolina, Odacir Amorim. |