Auditório lotado, olhos atentos e palavras que destacavam valorização, luta e ousadia do trabalhador para revolucionar. Assim foram os dois dias de atividades do 9º Congresso dos Bancários da Bahia, marcado também por forte participação de novos bancários e importantes debates.
Com o evento, o Sindicato da Bahia deu o ponta-pé inicial às discussões sobre campanha salarial, através da aprovação do Plano de Lutas e do calendário de atividades. Outro ponto de destaque foi o balanço positivo da atuação da entidade e as propostas para ações futuras, principalmente no que diz respeito ao fortalecimento da categoria no interior do Estado.
Ao longo dos 21 anos de história, o Congresso sempre foi uma oportunidade singular para que os delegados eleitos pela categoria explanem os problemas enfrentados diariamente pela classe. A nona edição não foi diferente. Dezenas de bancários se pronunciaram em defesa do trabalho. Entre os temas mais abordados estavam a necessidade de novas contratações, isonomia, efeitos da Emenda 3, saúde do trabalhador e questões de gênero. Todos esses aspectos fazem parte da tese da Corrente Social Classista, Um novo Brasil: desenvolvimento com valorização do trabalho, aprovada por unanimidade.
Para o presidente do Sindicato, Euclides Fagundes Neves, o Congresso foi um sucesso, não só pela participação maciça dos delegados de Salvador e interior e convidados, mas também pelas intervenções sobre diversos temas de interesse da categoria.
CAMPANHA SALARIAL
Entre as principais deliberações do 9º Congresso destaca-se a definição por uma Campanha Nacional articulada este ano, com valorização das negociações específicas. A nova estratégia consiste em unificar a mobilização e pontos comuns da pauta de reinvidicações sem, entretanto, engessar as questões específicas. Em relação ao Comando Nacional, as discussões resultaram na necessidade da implementação de uma unidade nacional, com a formação do comando através de chapas, respeitando a proporcionalidade direta.
O evento também sustentou a necessidade de união de todos os trabalhadores do sistema financeiro, isonomia nos bancos públicos e luta por novas conquistas e manutenção dos direitos já alcançados. Os desafios são grandes, mas a criatividade e ousadia demonstradas no Congresso não são pequenas. A perspectiva é de uma campanha salarial movimentada e com avanços.
Reuniões específicas
O encontro de centenas de bancários de Salvador e do interior do Estado possibilitou a realização de duas reuniões específicas. Entre os funcionários do ABN e Sudameris, o assunto tratado foi a fusão do Real com o grupo inglês Barclays, que tem provocado tensão entre os empregados, embora a direção do banco tenha se comprometido, em reunião realizada no último dia 26, a não promover dispensas. A participação dos bancários do Sudameris aconteceu devido a unificação de bandeiras com o ABN, o que levanta a possibilidade de fechamento de agências em localidades onde existam unidades de ambos os bancos. A outra reunião específica foi entre os empregados da Caixa, que atualizou o andamento da luta por isonomia entre novos e antigos empregados. Diretores do Sindicato da Bahia reforçaram o convite para que os bancários participem do grupo de discussão, através do e-mail tbbahia@grupos.com.br.
Reconhecimento
Entidades das mais diversas regiões do país prestigiaram o 9º Congresso dos Bancários da Bahia, como a CUT, Contraf, Comando Nacional dos Bancários, Sindicato dos Bancários de Jequié, Feira de Santana, Ceará, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Rio Grande do Sul, além da Federação dos Bancários da Bahia e Sergipe, do Rio de Janeiro e Espírito Santo. As atividades contaram ainda com a participação do Dieese, Associação dos Funcionários (AFBNB) e Superintendência do BNB, Sindicato dos Metalúrgicos, dos Médicos, Associação dos Aposentados do BB e da Corrente Sindical Classista (CSC). O deputado estadual Álvaro Gomes e o vereador Everaldo Augusto, ambos do PCdoB, também participaram das discussões no Congresso.
Números expressivos A relevância do Congresso pode ser mensurada através dos números. Com grande adesão de bancários de todas as regiões do Estado e aumento da participação das mulheres, o evento foi um sucesso de público. 264 participantes 20% de bancárias 127 delegados de Salvador 92 delegados do interior 45 convidados especiais
Homenagem especial
O 9º Congresso dos Bancários da Bahia prestou homenagem especial a dois bancários que jogaram papel decisivo na luta, no final dos anos 70, pela retomada do Sindicato das mãos dos pelegos, na época comandados por Eraldo Paim. Os homenageados foram Smitson Oliveira, do Banco do Brasil de Seabra, e Alberto Braitte Figueiredo, do Bradesco de Juazeiro.
Luta sem distância
Há sete meses trabalhando em Barreiras, aproximadamente 1 mil km de Salvador, sua cidade natal, Benedito Vitoriano, empregado da Caixa, enfrentou mais de 12 horas de viagem para participar do 9º Congresso dos Bancários da Bahia. Apesar do grande número de assaltos e acidentes que ocorrem na BR-242, como conta, não deixou de participar do evento. “Todos devem pensar que, quando se sindicaliza, não se luta pelos interesses profissionais, mas sim de todos os trabalhadores e da sociedade como um todo”. Hoje, de acordo com Benedito, muitas pessoas enxergam a profissão de bancário apenas como uma “passagem”, dedicando-se a outras atividades com melhor retorno financeiro, através, por exemplo, de concursos públicos. Por esse motivo, alguns acabam não se interessando pelo movimento sindical e pelos direitos da profissão, enfraquecendo a classe. Benedito acredita que eventos como o Congresso contribuem para que todos conheçam as iniciativas de outros companheiros e passem a lutar por um Brasil mais justo para todos os trabalhadores.
Terceirização no BB
As entidades representativas do funcionalismo foram convocadas pela diretoria do Banco do Brasil para uma reunião hoje, em Brasília, onde será apresentado o Novo modelo de relação com o cliente. A proposta prevê a reclassificação de agências, nova lógica de relacionamento nas agências da Rede de Varejo e suporte operacional. Ou seja, a apresentação do BB é um convite de demissões aos trabalhadores, pois de acordo com levantamento inicial, o novo modelo vai extinguir mais de 3 mil postos de trabalho.
O pacote apresenta medidas que estimulam a terceirização, como o repasse da manutenção predial para outras empresas, contratação de serviços e partes da URR, especialmente a cobrança de recebíveis. Outro ponto referente à terceirização é a maior atuação de empresas que trabalham com o processamento eletrônico de envelopes, o que pode acabar, inicialmente, com cerca de 2 mil postos de caixas executivos.
Sobre a reclassificação de agências, o novo modelo prevê mudanças na ativação de gerentes de contas (GECON), através de novos critérios de produtividade, intensificando, assim, os níveis de assédio moral e a redução do quadro de trabalhadores. O movimento sindical é contra o novo modelo. Em Salvador, acontece assembléia para discutir o assunto, na quarta-feira, 19h, no auditório do Sindicato.
Fonte: SEEB-BA |