No início de fevereiro, a AFBNB – preocupada com o processo de indefinição quanto à diretoria do Banco e compreendendo a necessidade de termos gestores comprometidos com as causas da região e com a história do BNB – lançou o manifesto: “Que gestores o BNB merece? Contribuição da AFBNB para o perfil dos gestores do Banco do Nordeste do Brasil”. O documento foi apresentado ao conjunto dos deputados e senadores empossados no Congresso Nacional e à sociedade em geral.
Nesse manifesto, a AFBNB aponta, objetivamente, quais critérios devem permear, enquanto perfil, conforme abaixo, a escolha dos dirigentes do Banco, considerando suas responsabilidades e a necessidade de dar conta às expectativas que a sociedade tem para com um dirigente de uma instituição com mais de 54 anos, cuja missão é apoiar o desenvolvimento regional:
- Reputação ilibada, tradição de seriedade e honestidade no trato e na gestão de assuntos públicos ou privados; - Competência e experiência técnica e na gestão pública ou empresarial (privada), de preferência na área financeira e de crédito para desenvolvimento. Conhecimento técnico sobre o BNB; - Conhecimento das questões econômicas e sociais do Nordeste, do Brasil e do mundo; - Competência para navegar no universo político e empresarial, nordestino e do centro-sul; - Tradição de gestão transparente, ética, democrática e participativa, com respeito às pessoas e à dignidade do trabalho.
No início de março, indignada com a forma como vinha sendo tratada a escolha dos dirigentes da Instituição, a AFBNB denuncia: “O BNB não é moeda de troca; é Agente de Desenvolvimento da Região Nordeste!”. Na oportunidade, a entidade afirma que o BNB tem que estar isento de negociações políticas, devendo ser tratado com respeito à sua história de contribuição para o Nordeste e chama à reflexão: “ou o Governo Federal, a partir dos seus interlocutores (novos e antigos ‘aliados’) não tem conhecimento do papel e da importância que as empresas estatais têm a cumprir, seja qual for a sua missão, ou são réus-confessos de que essa é a forma como vêem as instituições – instrumentos de barganha política.”
Além disso, reforçou que não aceitará dirigentes com histórico de atitudes antidemocráticas e autoritárias, praticantes de assédio moral – o funcionalismo, patrimônio maior da Instituição, merece e exige ser tratado com respeito e dignidade.
Agora, já em abril, mais uma vez a imprensa dá destaque ao “duelo de partidos por Bancos Federais” e aponta que o Presidente Lula, pessoalmente, definirá as nomeações para essas Instituições. Considerando a defesa do Banco, a AFBNB encaminhará, novamente, o perfil de gestores, tanto à comissão responsável pelas indicações dos diretores quanto ao Presidente Lula, defendendo uma diretoria formada em sua maioria por funcionários do Banco, além de exigir o retorno do Diretor Representante, eleito entre os funcionários. Apelamos para o compromisso do Presidente Lula em democratizar as Instituições do governo federal – e um exemplo importante disso seria o retorno da função de Diretor Representante no BNB.
Nesse sentido, também conclamamos a todos para externarem seu constrangimento por verem a escolha dos dirigentes do Banco sendo tratada de forma “pequena”, sem a definição de perfil, sem a participação do corpo funcional e da sociedade organizada, privilegiando, exclusivamente, o atendimento à base de sustentação do governo. A AFBNB não aceitará, em hipótese alguma, a utilização da função de diretoria do BNB como sustentação ou fortalecimento político de quem quer que seja. O compromisso tem que ser com o Nordeste, com o desenvolvimento sustentável, com as lutas do povo nordestino, com a democracia republicana.
A Diretoria
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