Completaram-se três anos (10/02) da entrega do nosso Banco do Estado do Maranhão (BEM) ao Bradesco. E o que restou da venda do banco para seus os empregados, para os servidores públicos do Estado e para a sociedade maranhense? Do ponto de vista dos empregados, os números falam por si: do leilão até aqui, 155 pais e mães de família engrossaram a fileira dos demitidos. Ou seja, dos dois mil e duzentos trabalhadores que o BEM teve, restam apenas 318. Significa dizer que quase 1900 famílias foram desamparadas em razão do processo de privatização.
Os que permanecem, experimentam, cotidianamente, o temor do desemprego. Em média, atualmente, duas demissões são efetivadas por semana. A exigência de metas, cada vez mais absurdas, vem quase sempre casada com a ameaça velada ou explícita da perda do emprego. A sobrecarga de trabalho é conseguida sob o mais rigoroso controle das ações do trabalhador. Falta isonomia salarial entre funcionários do ex-BEM e os do próprio Bradesco. A desqualificação do trabalho e o preconceito aos ex-funcionários do BEM sugerem assédio moral. A discriminação se estende ao plano de saúde: esses empregados não têm acesso ao 'Saúde Bradesco'. O abuso se dá também na insegurança diária. Enfim, condições de trabalho estressantes que resultam em diversos tipos de doenças ocupacionais.
Para o servidor público: atendimento precário com variadas e exorbitantes tarifas. Inclui-se a cobrança da tarifa de manutenção de conta ativa já paga pelo Estado, conforme Contrato de Prestação de Serviço. O fato caracteriza duplicidade de cobrança com a mesma finalidade, sobrecarregando o assalariado.
Para a sociedade: dívida em torno de R$ 700 milhões. O débito é crescente, mesmo com prestações mensais em torno de R$5 milhões. Esses recursos nos fazem enorme falta para investimentos em saúde, educação, segurança, produção agrícola, etc. Porém, o mais grave mesmo é a falta de um instrumento genuinamente maranhense com a missão de financiar o nosso desenvolvimento, já que o Bradesco, descomprometido com o financiamento de nosso crescimento econômico e social, apenas retira recursos do Estado.
O quadro aqui descrito confirma as previsões feitas pelo Sindicato dos Bancários do Maranhão, de que a privatização do BEM representaria um péssimo negócio para o nosso povo. Razão porque encarecemos às autoridades competentes que tomem providências no sentido de conter os abusos do Bradesco no Maranhão.
Fonte: Sindicato dos Bancários do Maranhão |