A frente da agência do Banco do Brasil localizada na avenida Duque de Caixas, no Centro de Fortaleza, foi palco de momentos de bastante tensão na manhã de ontem causados pelo confronto entre policiais militares e cerca de 60 vigilantes em greve. Sete manifestantes ficaram feridos e três foram detidos por desacato e resistência à prisão, mas liberados em seguida. O presidente do sindicato da categoria, Geraldo Cunha, levou um tiro de borracha no lado direito do pescoço. Duas portas do setor de auto-atendimento da agência bancária foram destruídas durante o tumulto.
A ação dos grevistas teve início às 7 horas, com uma manifestação em frente à agência do Banco do Brasil. Por volta das 9 horas, a Polícia Militar foi acionada para acompanhar os manifestantes. O conflito começou, contudo, pouco depois das 11 horas, com a chegada do Batalhão de Choque da PM (BPChoque). Foi dada uma ordem para que o carro do som dos grevistas fosse retirado de frente da entrada da garagem da agência para que os carros-forte pudessem entrar e abastecer o banco.
Nesse momento, teve início o confronto. A causa ainda é uma incógnita: os vigilantes dizem que foram agredidos logo depois da retirada do carro, enquanto a Polícia afirma que agiu somente no sentido de dispersá-los do local. Granadas de efeito moral e tiros de borracha foram disparados contra os vigilantes para que eles evacuassem a área.
O tumulto assustou os clientes que estavam no banco e as pessoas que passavam pela Praça do Carmo. O trânsito na região ficou engarrafado por vários minutos, obrigando ônibus e automóveis a tomar uma rota alternativa, que passasse ao lado da Duque de Caxias. Segundo um funcionário do BB, o atendimento na agência não foi interrompido pelo tumulto. Ele disse ainda que nenhum cliente ficou ferido pelos estilhaços dos vidros.
A vendedora Elisabeth Pereira, que trabalha na Praça do Carmo, bem em frente ao local do confronto, conta como foi o início do confronto. "Eu vi tudo. Um policial deu um tapa no rosto de um rapaz que nem reagiu. Depois começou o tiroteio, as explosões e a correria. A polícia partiu pra cima deles sem motivo", relata.
Dois vigilantes ficaram feridos por conta da explosão das bombas de efeito moral: Claudemir Clementino Barros teve a mão estilhaçada ao tentar pegar a granada e foi submetido a uma cirurgia plástica, enquanto Joel Monteiro Gomes teve todo o lado esquerdo do corpo ferido pelos estilhaços da bomba. Eles foram atendidos no Instituto Doutor José Frota Centro (IJF-Centro). Segundo a Polícia, Claudemir tentou arremessar a granada de volta contra os policiais. Os vigilantes negam essa versão.
O caso mais grave é o do vigilante Pedro Nonato de Farias, que levou um tiro de borracha na testa e teve traumatismo crânio-encefálico (TCE). Na tarde de ontem, Pedro Nonato foi submetido a uma intervenção cirúrgica. À noite, seu estado de saúde piorou e ele teve de sair da sala de recuperação para a UTI do IJF. A Polícia investigará o que de fato ocorreu com o vigilante.
Houve demora na chegada das equipes de socorro até o local. Uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi vaiada pelos manifestantes ao chegar à Praça do Carmo pouco tempo depois do fim do tumulto.
Fonte: O Povo |