Faltando pouco menos de um mês para completar um ano que adquiriu o Banco do Estado do Ceará (BEC), o Bradesco já desligou de seu quadro de funcionários cerca de 143 colaboradores no Estado, sendo 130 só do extinto banco cearense. A informação é do diretor do Sindicato dos Bancários do Ceará, Robério Ximenes. O número de ex-becistas demitidos representa cerca de 15% do total de trabalhadores do BEC, em torno de 856, incorporados aos recursos humanos do Bradesco em janeiro de 2006.
Segundo Ximenes, os desligamentos aconteceram entre janeiro e novembro deste ano. Conforme disse, 70 funcionários foram desligados por vontade própria até março do ano corrente, aproveitando o acordo coletivo dos bancários, assinado em outubro de 2005, garantindo que quem fizesse essa escolha teria direito a receber o equivalente a três avisos prévios, além da indenização prevista em lei — 40% sobre o saldo do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS).
No entanto, os 60 funcionários restantes foram desligados somente a partir de agosto de 2006. “As demissões ocorreram por vários motivos. Mas o principal deles, segundo afirma a direção do banco, se deve à inadequações à nova realidade da instituição. Na verdade, eram funcionários antigos, com salários altos e que para um banco que visa lucro não interessam, pois representam custo”, afirma o diretor do Sindicato dos Bancários.
De acordo com ele, os trabalhadores foram surpreendidos por uma carta modelo, entregue geralmente às sextas-feiras, comunicando o desligamento. “No ofício, consta apenas que a pessoa está sendo demitida e que ela sabe por qual motivo aquilo está acontecendo”, esclarece Ximenes. “É certo que o Bradesco paga todos os direitos trabalhistas, mas fica claro o desmantelo da equipe que era do BEC. É como se fosse uma limpeza”, afirma.
Para apurar o verdadeiro motivo das demissões, Ximenes conta que o Sindicato está realizando uma pesquisa entre os ex-becistas, ativos e demitidos, para saber se houve algum tipo de pressão por parte do Bradesco.
Na expectativa de tentar estancar a onda de demissões no Bradesco, o presidente da Associação dos Funcionários do BEC (Afebec) revela que o presidente do Sindicato dos Bancários, Marcos Saraiva, segue, esta semana para São Paulo, para uma reunião da executiva da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Crédito (Contraf), antiga Confederação Nacional dos Bancários. “Vamos tentar organizar junto à direção do Bradesco uma reunião para convencê-los a cessar as demissões dos antigos funcionários do BEC. Todo dia chegam novos casos de demissão no Sindicato”, conta.
Em abril deste ano, em entrevista exclusiva ao Diário o diretor do Bradesco para o Nordeste, Fernando Tenório, surpreendeu o mercado ao anunciar a contratação de 270 novos colaboradores e afastou o temor da onda de demissões que sempre assombrou os cerca de 865 funcionários ativos do BEC durante o processo de privatização da instituição. À época, ele chegou a afirmar que os novos contratados viriam para somar ao quadro funcional que pertencia ao banco cearense e não para substituir os antigos colaboradores.
BRADESCO - Contactado pela reportagem, por meio de sua Assessoria de Imprensa, o Bradesco informou que os desligamentos eventualmente ocorridos foram resultado de inadaptação dos colaboradores nas atividades funcionais.
Fonte: Jornal Diário do NOrdeste |