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Notícias

  22/11/2006 

Recriação da Sudene

A Confederação Nacional da Indústria reúne, hoje, em Brasília, governadores, parlamentares, lideranças empresariais e dirigentes de organismos regionais. Na pauta, a recriação da Sudene, objeto de mensagem do Executivo, esquecida nos escaninhos do labirinto burocrático do Congresso Nacional.
 
A refundação da antiga autarquia regional de desenvolvimento foi bandeira do presidente Lula da Silva durante a campanha de 2002. Eleito, o governante procurou, de fato, materializar a promessa, não encontrando, entretanto, a exata compreensão dos governadores nordestinos sobre o plano proposto para o desenvolvimento regional. A mensagem pouco avançou.
 
Durante a campanha para o segundo mandato, a bandeira foi retomada, sem, contudo, despertar interesse no público diretamente vinculado ao projeto, diante dos obstáculos impostos pela classe política. Ainda assim, a recriação foi assumida pelo presidente da República, renovando seu compromisso.
 
A experiência acumulada pela antiga autarquia jamais mereceria desmonte tão abrupto. No mínimo, haveria a preservar o acervo excepcional de realizações, a memória científica regional, de qualidade inquestionável, e o conjunto de referências para evitar os erros do passado.
 
As conquistas colecionadas ao longo de mais de quatro décadas de atuação superam as distorções tidas como responsáveis por sua derrocada. O correto teria sido extirpar as áreas gangrenadas, preservando-se o corpo livre de contaminação. Como tem-se tornado rotina, a corrida para a desativação, sem critério, da máquina pública deixa sempre transparecer a idéia de queima de arquivo.
 
O manancial de informações científicas geradas por inúmeros programas de pesquisa e sua reunião em publicações voltadas para o semi-árido não têm preço. Povoamento de vazios urbanos, estudos sobre o meio ambiente, recursos hídricos, riquezas minerais exploráveis, a agricultura, a indústria e a agroindústria foram dimensionados em perfis distintos, disponibilizados para quem desejar engajar-se na transformação da realidade contrastante.
 
A Adene, sucedânea da Sudene, de tão descaracterizada, não preencheu sua finalidade. Até porque o essencial, consubstanciado no Conselho Deliberativo da estrutura anterior, não foi recomposto como um fórum regional de grande peso nas decisões. O Nordeste perdeu muito com a interrupção desse centro de influência política e com o esvaziamento dos mecanismos financiadores de seu parque industrial.
 
A reabertura dos entendimentos capazes de produzirem uma estratégia política com respaldo do empresariado é um elemento novo, com potencial para sensibilizar o Executivo e o Legislativo em torno de um instrumento preconizado para realinhar o projeto de desenvolvimento regional.
 
A nova Sudene deve ser uma meta a ser alcançada pelo esforço conjugado de todos os segmentos representativos do Polígono das Secas para ter legitimidade e força política.

Fonte: Jornal Diário do Nordeste
Última atualização: 22/11/2006 às 09:48:00
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