Embora os resultados das Contas Regionais de 2004, divulgados na última semana pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), tenham revelado que, em relação a 2003, o Norte (de 5% para 5,3%) e o Nordeste (de 13,8% para 14,1%), foram as únicas Regiões do País que ganharam participação no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro — soma de todas as riquezas produzidas no País —, o Nordeste, em específico, apenas recuperou sua posição de 1985, quando era exatamente de 14,1%.
Quem chama a atenção para o fato é o doutor em Economia e professor titular em Desenvolvimento Econômico da Universidade Federal do Ceará (UFC), Jair do Amaral Filho. “Durante a década de 1990 e início deste século, a participação relativa do Nordeste no PIB nacional permaneceu estagnada em torno de 13%. Enquanto isso as regiões Norte e, principalmente, Centro-Oeste avançaram em suas participações”, justifica.
Já em 2004, a região Centro-Oeste, até então a mais dinâmica, aponta o economista, nas conquistas de degraus de participação, deu sinais de cansaço, permanecendo em 7,5%, o que reflete a crise do seu principal setor econômico, a agropecuária tocada pelo agronegócio de exportação.
Em relação ao avanço do Nordeste na participação relativa, Amaral afirma que isso pode ser explicado por várias razões, das quais podem-se destacar duas: “A primeira delas, é que o Nordeste se transformou numa área importante de acolhimento de investimentos vindos do Sul e Sudeste do país, como também do exterior, em razão dos custos reduzidos dos fatores, especialmente mão-de-obra, mas também pela melhoria da sua infra-estrutura”.
De acordo com ele, é interessante destacar que por trás dessa movimentação estiveram presentes políticas estaduais ativas de desenvolvimento econômico, com ou sem incentivos fiscais. “Tudo isso repercutiu na emergência de novos setores econômicos, em todos os segmentos: agricultura, serviços e indústria”, explica.
Conforme o economista, o Nordeste conheceu, em anos recentes, a expansão de novas fronteiras agrícolas na Bahia, Piauí e Maranhão, lideradas pela soja e algodão. Frutas frescas irrigadas também tiveram seus espaços na Bahia, Ceará e Rio Grande do Norte. A carcinicultura surgiu com muita força no Ceará e Rio Grande do Norte. Já a indústria tradicional, intensiva em mão-de-obra, principalmente no segmento de couro e calçados, ocupou espaços importantes na geração de emprego e renda tanto na Bahia, como no Ceará. Além disso, o turismo teve um crescimento espetacular nos últimos cinco anos em todos os estados do Nordeste.
Outra razão para avanço da região na participação relativa na economia brasileira, essa mais conjuntural, está no fato da melhoria dos preços internacionais dos produtos primários e semi-manufaturados, em razão do crescimento da economia mundial, impulsionado particularmente pela economia da China.
Fonte: Jornal Diário do Nordeste |