A Associação dos Funcionários do BNB (AFBNB) e a Associação dos Funcionários Aposentados do BNB (AABNB) realizaram, no dia 11 de agosto, o quarto debate do Ciclo de Debates por um Nordeste Melhor, em Aracaju (SE). O evento foi inserido na programação do "Agosto do Economista", organizada pelo Centro Acadêmico de Economia da Universidade Federal de Sergipe. Para falar sobre o tema “O Nordeste atual e os desafios da política regional" foram convidados Gustavo Maia Gomes, diretor-geral da Escola de Administração Fazendária (Esaf); Abrahanm Sicsu, do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE); Ricardo Lacerda, professor do curso de Economia da UFSE e Jorge Santana, presidente da Associação Comercial e Empresarial de Sergipe. A mediação do debate foi feita pelo superintendente do BNB em Sergipe, Saumíneo Nascimento. Nilson Holanda, professor da UnB e membro do Conselho Técnico da AFBNB responsável pela sistematização do documento que será entregue aos presidenciáveis, com propostas para o desenvolvimento do Nordeste, apresentou, de modo geral, os pontos que vêm sendo discutidos nos debates do ciclo Por um Nordeste Melhor.
Gustavo Maia apresentou os modelos de desenvolvimento implantados na China, Índia e Rússia, e como o paradigma escolhido reflete no aumento ou na diminuição das desigualdades regionais. Na Rússia, por exemplo, a estratégia é fortalecer as regiões que mais apresentam vocação para o desenvolvimento. Uma forma de compensação a essa política é, longe dos grandes centros, estimular a criação de pólos, unindo também quem já apresenta algum a vocação. Para Gustavo, esse tipo de política está na contramão de tudo o que se entende por desenvolvimento regional, uma vez tende a agravar os desequilíbrios já existentes. Na Índia, a guerra fiscal entre os estados remete ao que acontece hoje no Brasil. Lá, o rápido crescimento econômico dos anos 80 agravou as disparidades regionais, ficando as regiões mais ricas ao sul do país. Dos três países apresentados, a China é a única a demonstrar interesse em fazer uma política regional. Segundo o pesquisador, a lição que fica para o Brasil e para o Nordeste é que é preciso implementar uma política de desenvolvimento que reduza as desigualdades regionais e que é possível faze-la; a União Européia é um exemplo disso.
Abraham abordou a relação entre inovação e competitividade. Segundo ele, as políticas de desenvolvimento no Brasil sempre estiveram desatreladas à política de inovação, enquanto que os países desenvolvidos têm colocado a inovação e a questão regional no centro de suas políticas de desenvolvimento. Abraham destacou que para acompanharmos o novo paradigma tecnológico, marcado pela velocidade da renovação tecnológica e por um excesso de informações, é preciso criar infra-estrutura de conhecimento, com um nível educacional mínimo – visto que surge um novo tipo de analfabeto: o tecnológico – e mecanismos que possam potencializar competências nas regiões. “Quando se fala em inovação se fala em um processo acumulativo e interativo. Quanto mais se inova, mais se cria expertise para inovar”, afirma. “Eu não acredito em um projeto regional como apêndice ao nacional. Eu não acredito em um projeto que tenha como centro o capital em si, mas sim que o centro seja a evolução do conhecimento”, concluiu.
Ricardo Lacerda falou sobre desenvolvimento endógeno e de suas estratégias, que passam pela criação de condições externas que propiciem o incremento da produtividade e da competitividade das empresas. Segundo ele, entre essas estratégias estão a criação de infra-estrura física, escolarização e qualificação da mão de obra, acessibilidade ao crédito e fortalecimento das instituições. Ricardo apresentou ainda diretrizes gerais da nova Sudene, que está para ser criada, e diretrizes para uma política de desenvolvimento do Nordeste, entre elas, a elevação das condições de competitividade; o aproveitamento do excedente de mão-de-obra, em setores intensivos em trabalho; apoio aos Arranjos Produtivos Locais, estimulando a interiorização do desenvolvimento e o estímulo às formas alternativas de geração de ocupação e renda, como a economia solidária.
Para Jorge Santana, a abordagem de arranjos produtivos locais parece ser o principal enfoque a ser considerado ao se discutir desenvolvimento regional. “Acredito que é preciso buscar sinergias de ações principalmente na região Nordeste, porque há várias iniciativas e elas nem sempre convergem”. Ele destacou algumas ações que considera fundamentais ao se elaborar um projeto de desenvolvimento, como a adoção de medidas que equilibrem as contas públicas, a aprovação à reforma da legislação trabalhista, uma política de desenvolvimento econômico que privilegie a pequena e média empresa e o combate à corrupção na administração pública. |