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Notícias

  13/11/2006 

Ortega vence e derrota candidato de Bush

Após 16 anos e três derrotas eleitorais consecutivas, a Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN), encabeçada por Daniel Ortega, volta à Presidência da República da Nicarágua. Apesar de os resultados finais ainda não terem sido divulgados, os mais de 60% dos votos apurados apontam a vitória de Ortega já no primeiro turno.

O candidato da FSLN alcançou 38,59%, enquanto o banqueiro Eduardo Montealegre da Aliança Liberal Nicaragüense (ALN), que obteve apoio explícito de Washington, somou 30,94% dos votos. A legislação eleitoral estabelece que será eleito no primeiro turno o candidato que obtiver um percentual de votação maior que 35% e abrir 5 pontos de vantagem sobre o segundo colocado.
Os resultados das urnas vislumbram que a FSLN terá o maior número de assentos na Assembléia Nacional (37), porém quantidade insuficiente para os dois terços necessários para a aprovação de reformas constituicionais.

Desde o fim da Revolução Sandinista em 1990, quando Violeta Chamorro – que apoiou a derrubada dos Somoza, em 1979, mas no fim dos anos 1980 tornou-se um ícone da oposição aos sandinistas – derrotou Ortega nas eleições presidenciais, a Nicarágua vem sendo regida pelas políticas neoliberais e por um alinhamento incondicional aos EUA. Neste período neoliberal, a desigualdade ampliou-se: atualmente, 80% da população nicaraguense vive com menos de US$ 2 por dia e 30% da população vive em condições de indigência.

Polarização Externa
As eleições do último dia 5 de novembro foram marcadas mais por uma polarização em relação aos aliados externos do que por diferenças programáticas entre os candidatos. Os EUA investiram na candidatura da ALN, cujo candidato Eduardo Montealegre afirmou que pretendia uma "aproximação construtiva" com a Casa Branca. Ainda que Ortega tenha feito uma campanha moderada, prometendo "boas relações" com Washington, uma vitória do banqueiro Montealegre representaria uma consolidação de uma hegemonia de países pró-EUA na América Central. A maior parte dos países da região têm políticas em sintonia com os estadunidenses, como o presidente da Costa Rica, Oscar Arías Sánchez, recém-eleito.

Esse cenário, por exemplo, foi definitivo para George W. Bush conseguir a assinatura do Tratado de Livre Comércio da América Central (DR-Cafta), com os atuais presidentes de Nicarágua, Guatemala, El Salvador, Honduras e República Dominicana. Trata-se de um acordo nos moldes da Área de Livre Comércio das Américas (Alca) que impõe uma série de alterações na Constituição de caráter liberal, reduz a autonomia das nações e amplia o poder das transnacionais.

Na campanha eleitoral, Ortega acusou Washington de ingerência por ter apoiado Montealegre. Frente às afirmações do presidente eleito, o candidato da ALN, em entrevista à BBC, tergiversou: "Os EUA não se manifestaram em prol de nenhum candidato, mas sim em prol de valores democráticos, dos quais eu compartilho".

Paul Trivelli, embaixador dos EUA na capital nicaragüense, Manágua, foi enfático e declarou que a vitória de Ortega representaria uma "tragédia" e que os "avanços do livre comércio" empreendidos nos países da região seriam prejudicados.

Em contrapartida às acusações da FSLN de ingerência de Washington no processo eleitoral, Eduardo Montealegre afirmou que o presidente venezuelano, Hugo Chávez, forneceu petróleo mais barato para cidades governadas pelos sandinistas.

Não foi sem razão que uma comitiva oficial dos EUA em Manágua lançou uma nota, no em 5 de novembro, questionando a lisura do processo eleitoral. Os estadunidenses simplesmente ignoraram a avaliação de observadores internacionais conterrâneos, como as do Centro Carter, presidido pelo ex-presidente Jimmy Carter, que indicaram que as votações ocorreram de maneira transparente – mesma opinião da Organização dos Estados Americanos e da Transparência Internacional.
Críticas à esquerda

Edmundo Jarquín, candidato à Presidência pelo Movimento de Renovação Sandinista (MRS), dissidência da FLSN criada em 1995, obteve 7,25% dos votos e seu partido ficou com 6 assentos na Assembléia Nacional. O MRS tem diversas críticas ao controle total de Ortega sobre as instâncias partidárias da FSLN, às suas concessões ao mercado e às oligarquias nicaragüenses. Para Mónica Baltodano, ministra do governo revolucionário na década de 1980 e atualmente nas fileiras do MRS, Ortega, a fim de se eleger no primeiro turno, "só faltou fazer pacto com o diabo".

A ex-ministra denuncia os acordos entre Ortega e antigos inimigos da Revolução Sandinista, tais como o Partido Liberal Somozista e alguns quadros dos "contras", que recebiam apoio financeiro e bélico dos EUA para derrotar os sandinistas no período revolucionário. "A tese principal (de Ortega) é que já não existem inimigos. O importante é reconciliar os interesses, por mais antagônicos que sejam, com a finalidade de ganhar mais votos", afirma Baltodano.

Fonte: Jornal Brasil de Fato

Última atualização: 13/11/2006 às 08:00:00
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