O Observatório Brasileiro de Mídia foi fundado em janeiro de 2005 durante a quarta edição do Fórum Social Mundial em Porto Alegre como uma contribuição a mais para a democratização dos meios de comunicação e já nasceu filiada a uma rede internacional de organizações congêneres, o “Media Watch Global”. Sua direção é composta basicamente por profissionais ligados à área de jornalismo.
O objetivo do seu trabalho é mostrar à sociedade como a mídia trata os temas mais relevantes e se de fato respeita a imparcialidade e a isenção que prega nos seus manuais de redação enquanto princípios do bom jornalismo. Entre estes temas podemos mencionar eleições, políticas públicas, mundo do trabalho, cultura, questões de gênero, entre tantos outros.
Existem inúmeros acontecimentos que justificam esta preocupação, pois apesar dos princípios e códigos de ética que deveriam nortear os meios de comunicação, frequentemente a mídia se auto-atribui o papel de árbitro dos fatos e de porta-voz da opinião pública, além de defender os interesses econômicos e empresariais dos seus donos.
Não é sem razão que a imprensa é conhecida como o “Quarto Poder” pela influência que pode exercer sobre a política por meio da sua capacidade de incidir sobre a opinião pública. Quem não se lembra do clássico exemplo do papel que a TV Globo exerceu para eleger Collor de Mello presidente em 1989? Centenas de políticos brasileiros ou seus familiares detêm a concessão de meios de comunicação e não por meros interesses comerciais.
Se não houver isenção, imparcialidade e transparência da mídia, a opinião das pessoas pode ser modificada, mesmo que temporariamente, o que é uma ameaça à democracia, pois uma decisão adotada à luz de informações distorcidas ou equivocadas muitas vezes não pode mais ser corrigida.
Para cumprir com seu objetivo o Observatório mede a exposição dada aos diferentes temas nos meios de comunicação e se são tratados positivamente, negativamente ou de forma neutra. Isto está sendo feito desde julho sobre o tema mais relevante da conjuntura, que é a eleição presidencial. Para isto acompanhamos cinco grandes jornais (Folha de São Paulo, Estado de São Paulo, O Globo, Jornal do Brasil e Correio Brasiliense) e quatro revistas semanais (Veja, Isto É, Época e Carta Capital) e como trataram os quatro candidatos melhor situados nas pesquisas eleitorais, Lula, Alckmin, Heloisa Helena e Cristovam Buarque, bem como a figura do Lula como presidente.
Durante praticamente três meses constatamos o seguinte:
As figuras de Lula candidato e Lula presidente receberam a maior exposição na mídia
2. As figuras de Lula candidato e Lula presidente receberam a maior parte da cobertura negativa. Conforme as circunstâncias, aumentava a de um ou a de outro, mas sempre negativamente.
Entre as figuras dos quatro candidatos Lula, Alckmin, Heloísa Helena, Cristovam Buarque e da figura Lula presidente, quem teve a cobertura mais positiva foi o candidato Alckmin, seguido por Heloisa Helena e Cristovam. Lula candidato e Lula presidente tiveram o menor percentual de notícias positivas.
Os dois jornais que trataram as figuras de Lula candidato e Lula presidente de forma mais negativa, foram o Estado de São Paulo e O Globo. A maior parte do tempo foi acima de 60%.
O texto na íntegra, com gráficos, pode ser acessado no endereço http://www.jornaldedebates.ig.com.br/index.aspx?cnt_id=15&art_id=2312
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