Negociação na Caixa Cinco dias após o início da greve nacional – em que os bancários da Caixa Econômica Federal foram destaque nas mobilizações – os empregados conseguiram arrancar do banco importantes avanços no Plano de Cargos Comissionados (PCC). Em negociação encerrada no final da noite desta segunda-feira, a diretoria do banco apresentou proposta com avanços também para a Participação nos Lucros e Resultados (PLR), entre outros itens.
“Além da PLR, as mudanças no PCC são importantes e atendem muitos itens da nossa pauta de reivindicações”, avalia Plínio Pavão, diretor da Contraf-CUT e coordenador da Comissão Executiva dos Empregados da Caixa.
Ao todo, o banco apresentou seis propostas para corrigir o PCC Conforme adiantado pela Caixa na última rodada de negociações, o banco vai criar o cargo em comissão de Caixa RET/PV, posicionado no nível TA1 das tabelas de Piso de Referência de Mercado e Gratificação, correspondente a R$ 1.450 e R$ 299 respectivamente. O novo cargo seria criado no dia 1º de janeiro de 2007.
Outro ponto já antecipado é a extinção do cargo em comissão de Gerente Júnior, cujo piso hoje é de R$ 3.413. Esses empregados serão enquadrados nos cargos em comissão de Gerente de Relacionamento ou de Atendimento. Os empregados com menos de 6 meses de exercício ou participantes do banco de habilitados deverão complementar o estágio no cargo antigo de Gerente Júnior. Já os empregados com mais de 6 meses serão enquadrados no cargo de Gerente de Relacionamento ou Atendimento de acordo com o Porte e Mercado do PV de lotação. O valor do piso de Gerente de Relacionamento/Atendimento varia de R$ 5.240 a R$ 6.689.
O banco também avançou na questão dos avaliadores de penhor. A Caixa propôs a criação do cargo em comissão de Avaliador de Penhor Sênior, posicionado no nível TA7, com piso de referência de mercado de R$ 4.066 e gratificação de R$ 1.508 para jornada de 8 horas. No caso da jornada de 6 horas, o piso de referência de mercado é R$ 3.049 e gratificação de R$ 1.130, o que representa um aumento salarial de aproximadamente 14% em relação ao Avaliador de Penhor Pleno. Ao todo, serão promovidos 180 avaliadores para o cargo sênior em 1º de janeiro de 2007.
Faixas salariais
Para todos os cargos em comissão de natureza técnica e de assessoramento, a Caixa vai criar cinco faixas salariais horizontais, com interstício de 2%.
“Esta medida vai beneficiar cerca de 24 mil empregados, inclusive o Caixa de PV e o Avaliador de Penhor. A movimentação será anual, por meio de avaliação de desempenho individual. A quantidade de empregados promovidos será aprovada pelo Conselho Diretor, em janeiro de cada ano. Para 2007 já está definida a promoção de 30% dos 24.005 empregados envolvidos. A promoção não interfere no encarreiramento dos níveis júnior, pleno ou sênior”, detalha Plínio.
A Caixa também aceitou a concessão de um delta ou nível salarial no cargo efetivo a todos os empregados que atenderem os requisitos. Segundo o banco, todos os bancários da ativa integrantes da Parte Permanente do Quadro de Pessoal da Caixa serão beneficiados, inclusive os cedidos, liberados para sindicatos e os licenciados sem suspensão do contrato de trabalho.
A alteração da referência salarial do empregado por esta modalidade não interfere nas promoções futuras por antigüidade devidas aos empregados, conforme previsto no Plano de Cargos e Salários. Serão beneficiados os empregados admitidos até 30 de setembro.
A Caixa também se comprometeu a apresentar proposta de unificação da Carreira Profissional dos PCSs 89 e 98, com a criação de nova estrutura em 36 níveis, possibilitando aos empregados que tenham aderido ou que venham a aderir ao Novo Plano da Funcef a adesão às novas condições da carreira profissional.
PLR
A Caixa informou que além de pagar o modelo de PLR que vier a ser acordado com a Fenaban, os empregados receberão uma Participação adicional. O benefício extra será pago de forma linear para todos os empregados, proporcional aos dias trabalhados em 2006.
“Esta proposta representa 3,5 remunerações bases de ingresso do Técnico Bancário e uma remuneração base para quem ganha o maior salário praticado na Caixa (veja tabela abaixo)”, comenta Plínio.
O pagamento seria em duas parcelas, sendo que 60% seria pago em até dez dias após assinatura do Acordo Coletivo e a outra parcela em março de 2007.
Outros benefícios
A Caixa aceitou ampliar o número de bolsas de incentivo à graduação. Segundo a proposta, serão 3 mil vagas para este semestre e mais mil para o primeiro semestre de 2007. O valor da bolsa será de, no máximo, R$ 350 e será concedida após aprovação na seleção interna e no vestibular.
Outra reivindicação dos empregados que o banco aceitou foi a conversão, de até 30 dias em espécie, de Licença-Prêmio e APIP, imediatamente após assinatura do Acordo.
“Agora vamos esperar que a Fenaban também avance nas negociações desta terça-feira, às 10h. Após o encontro com os banqueiros, o Comando Nacional vai se reunir e passaremos as orientações para os sindicatos, levando em consideração as negociações da Caixa, BB e Fenaban”, finalizou Plínio.
|
CARGO |
REMUNERAÇÃO BASE** |
VALOR DA PLR |
|
TEC. BANCÁRIO REF. 101 |
R$ 1.133 |
R$ 4.073 |
|
TEC. BANCÁRIO REF. 115 |
R$ 1.463 |
R$ 4.337 |
|
ESCRITURÁRIO REF. 77 |
R$ 2.302* |
R$ 5.469 |
|
SUPERV. I – FAIXA I |
R$ 6.678 |
R$ 8.509 |
|
GER. GERAL II –MERC. A |
R$ 8.380 |
R$ 9.871 |
|
TESOUREIRO RET PV (8H) |
R$ 2.420 |
R$ 5.103 |
*Sem considerar ATS
** Salários vigentes em 31/08/2006
Negociação no BB
O Banco do Brasil traz novidades para a Participação nos Lucros e Resultados (PLR) e reafirma as cláusulas da Convenção Coletiva. Em negociação realizada na noite desta segunda-feira, o BB aumentou a parte variável da PLR de 88% para 95% do valor de referência (VR) ou do E6. O banco manteve os R$ 412 da parcela fixa e a distribuição linear de 4% do lucro líquido, o que daria R$ 1.814,49 para cada funcionário.
“Com estes valores, a PLR teria um aumento mínimo de 75% sobre os valores pagos no semestre passado. Os escriturários, que recebem os menores salários, passariam a ganhar R$ 3395,28 de PLR, enquanto os caixas garantem R$ 3887,33”, afirma Marcel Barros, coordenador da Comissão de Empresa dos Funcionários.
O Banco do Brasil também aceitou a reivindicação dos bancários e vai pagar o módulo acordo de trabalho (ACT) proporcional para as agências que não o cumprirem integralmente. O valor total do módulo será pago para as agências que atingirem os 400 pontos do ACT e proporcional para as agências que garantirem no mínimo 325,5 pontos.
O BB se comprometeu a pagar os valores da PLR em até 48 horas após a assinatura do acordo.
Cláusulas garantidas
A direção do Banco do Brasil afirmou que vai manter as demais cláusulas do Acordo Coletivo de Trabalho do ano passado. Algumas sofrem melhorias, como reivindicado pelos bancários, como a licença-adoção de 120 dias; o auxílio do PAS para os novos funcionários nos casos de enfermagem especial, deslocamento para tratamento no exterior e remoção através de UTI móvel ou táxi aéreo; cobertura dos gastos com funeral e translado em caso de morte em serviço; cobertura de despesa de deslocamento e estadia em caso de recepção ou doação de órgãos; e VCP/LER, que passa de 12 para 18 meses.
O BB também reafirmou as cláusulas da Convenção Coletiva que vai cumprir. A primeira delas é o auxílio-creche ou babá, que o banco passa a pagar desde o nascimento. Outro item é a ajuda de deslocamento noturno, que o banco nunca pagou e agora cumpre os R$ 46,29 previstos na CCT. O Banco do Brasil também vai descontar o vale-transporte dos funcionários em até 4% do salário, e não 6% como é hoje. Ainda vai cumprir as cláusulas de Gratificação de função, Gratificação de Compensador de Cheques e Ausências Legais.
Sobre os dias parados, a empresa diz que cumpre o mesmo acordo que for assinado com a Fenaban. Se não houver uma definição, o BB se dispõe a negociar.
Após as negociações desta terça-feira com a Fenaban, o Comando Nacional vai passar todas as orientações para os sindicatos.
Fonte: Contraf-CUT |