Passados dois dias da paralisação de 24 horas, orientada pelo Comando Nacional e aprovada na maioria dos sindicatos dos bancários, alguns estados como Pernambuco, Maranhão e Rio Grande do Norte continuam em greve. Na Bahia, apesar da paralisação continuar, os benebeanos decidiram – em assembléia realizada quarta-feira – voltar ao trabalho e aguardar a próxima negociação. Em Pernambuco, as agências do BNB em Recife, Petrolina, Serra Talhada, Paulista e algumas do interior estão fechadas, assim como as agências Natal-Centro e Prudente de Morais, no Rio Grande do Norte. No Maranhão, apenas a agência do BNB de Pinheiro permaneceu paralisada.
Paraíba, Ceará, Piauí, Sergipe e Alagoas seguem as orientações do Comando Nacional. Em alguns desses estados as assembléias acontecerão entre hoje e amanhã, mas o indicativo é deflagrar a greve junto com o Comando Nacional. Pelo calendário proposto, caso a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) não reveja a proposta vergonhosa apresentada na negociação de ontem, será deflagrada greve geral, por tempo indeterminado, a partir da próxima quinta-feira (dia 5 de outubro).
A AFBNB reitera a autonomia dos sindicatos, mas acredita que é fundamental um processo de coordenação do movimento em nível nacional que reflita a realidade dos fatos, mas também o empenho dos companheiros nos Estados que já estão em greve, no sentido de estarmos fortalecidos no processo de negociação. A expressão mais elevada de nossa solidariedade a estes companheiros é acompanhar suas lutas.
Se no BNB a adesão à paralisação de 24 horas demonstrou pouca disposição de luta – sobretudo no Ceará, onde praticamente nenhuma agência parou, se comparado à Caixa Econômica e ao Banco do Brasil, que continuam fechados naqueles Estados que assim deliberaram – é necessário convocar todos os benebeanos à reflexão sobre o papel das entidades representativas, em geral, e de cada um, em particular, para o alcance dos resultados esperados por todos, como remuneração justa, valorização do funcionalismo e garantia de direitos, que só serão conquistados com organização, unidade, coragem e mobilização para a luta.
Não cabe mais aguardar somente que os sindicatos impeçam a entrada dos companheiros nas agências; essa estratégia não leva aos caminhos da politização. Temos que nos conscientizar, reconhecer a força da coletividade e, mesmo com portas liberadas, optarmos conscientemente por não abri-las.
A diretoria da AFBNB questiona as estratégias da Confederação Nacional dos Trabalhadores no Ramo Financeiro (Contraf) e do Comando Nacional de Greve por definirem um calendário aquém das expectativas e condicionado ao retorno dos banqueiros, pois estes, recheados com seus gordos lucros já ganhos, deixaram claro não estarem dispostos a dialogar e a tratar com o mínimo de respeito a categoria. Sabemos que o processo de negociação às vezes exige recuo de ambas as partes. Por que somente nós temos de recuar?
Cabe também, a cada um dos sócios da AFBNB, se concordar com a postura da diretoria, instigar seu sindicato a adotar estratégias que revertam a tendência a uma postura meramente burocrática do Comando Nacional de Greve na presente campanha, que dispersa o poder de mobilização e o potencial combativo dos trabalhadores bancários.
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