A conjuntura política e o futuro do desenvolvimento regional
Vivemos um momento peculiar, enquanto brasileiros e enquanto bancários de uma instituição de desenvolvimento: por um lado, aproxima-se mais uma eleição, momento no qual cabe a cada brasileiro em particular a definição dos representantes que governarão para o coletivo. Por outro lado, vivemos uma campanha salarial que, como todas as outras, não se mostra fácil, visto que os patrões não abrem mão de seus lucros exorbitantes e querem, a todo custo, atropelar os direitos da categoria bancária a uma remuneração justa por seu trabalho.
A Associação dos Funcionários do BNB tem como missão a busca pelo desenvolvimento da região Nordeste e a superação das desigualdades regionais; isso requer necessariamente a defesa dos interesses do funcionalismo e o fortalecimento da instituição Banco do Nordeste. Nesse sentido, entendendo nossa função também enquanto mediadores e formuladores de questionamentos que levem à reflexão de todos os funcionários, convocamo-los a pensar sobre o atual momento em que nos encontramos:
1. Não devemos nos entregar ao desencanto e à desesperança. O discurso vigente de que “são todos iguais” e a descrença na política partidária, além de despolitizar, favorece a permanência no poder daqueles que, há séculos, com seu conservadorismo de direita, decidem os rumos do país, rumos estes que geraram o atual desequilíbrio social brasileiro;
2. A eleição, portanto, é um passo para a mudança que tanto almejamos. Primeiro porque decide, de forma legítima, quem o povo brasileiro escolhe para representá-lo. Mas é preciso ir além. É preciso resgatar o que diz a Constituição Federal e, através de mecanismos de participação direta e do controle social das políticas públicas, exercermos o poder e não apenas delegarmos a terceiros, afinal, “Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente”;
3. Votar é exercer um direito. É, antes de tudo, refletir sobre o que virá através de seu voto. Que caminhos e que idéias ele ajudará a promover? Dessa forma, é necessário pensar que país queremos construir, que Nordeste nos interessa e, a partir daí, identificar qual partido – por sua história, por sua construção, por seus ideais e bandeiras de luta – pode concretizar seus anseios. Um partido que veja, antes de tudo, os brasileiros. Que resgate sua dignidade; que respeite o meio ambiente; que construa com a diversidade; que reconheça a necessidade da reforma agrária; que universalize os saberes – não só através do ensino formal, mas do reconhecimento da sabedoria popular e da cultura dos povos; que entenda que desenvolver não é apenas gerar riquezas para poucos, mas distribuí-las para muitos; que promova a equidade; que garanta a soberania nacional e, com a participação de todos, construa uma sociedade livre, justa e solidária;
4. Aliada a essas características, é necessário observar quem oferece mais condições de promover uma política econômica inclusiva; o provimento de recursos hídricos condicionado à democratização da terra e da água e à revitalização do Velho Chico; o desenvolvimento de projetos estruturantes na região Nordeste; o fortalecimento de órgãos estatais e de organismos regionais de desenvolvimento, tendo como foco o BNB e a recriação da SUDENE... É preciso refletir sobre quem pode conduzir o Brasil por este caminho, que leve à redução das desigualdades, à distribuição de renda, à efetivação dos direitos fundamentais dos brasileiros, aviltados durante longo período em que o foco não era no povo, mas nos interesses do capital privado.
5. Tão legítimo quanto o direito ao voto é o direito do trabalhador reivindicar remuneração justa por seu trabalho. Isso se dá, de forma efetiva, através da mobilização e da greve. Por isso, não nos ausentemos da frente de batalha. Busquemos, nós mesmos, nossos direitos, sejamos responsáveis diretos pelo nosso futuro! Foi no intuito de mobilizar o conjunto dos funcionários que a AFBNB reproduziu comunicado de um funcionário na manhã da última sexta-feira. Reconhecemos que a comparação utilizada pelo colega foi infeliz, mas o que quisemos destacar foi a idéia central de que “a história nos tem mostrado que o trabalhador somente consegue alguma melhoria com garra e muita luta”. Aproveitamos para ratificar que a AFBNB não associa aos judeus nenhum sentimento de covardia ou de acomodação e que não foi intenção do funcionário discriminar os judeus, mas convocar todos à luta. Aos que se sentiram ofendidos ou incomodados, nossas sinceras desculpas.
Nós, benebenos, queremos um Nordeste melhor, queremos um Brasil melhor. Então, arregacemos as mangas e sigamos ajudando a realizar este sonho: votando conscientemente, escolhendo governantes que comunguem com nossos sonhos, reivindicando nossos direitos, colocando em prática nossa cidadania. Não há outro caminho para as conquistas que tanto almejamos.
Então, vamos à luta?
José Frota de Medeiros Francisco de Assis Silva de Araújo Tomaz de Aquino e Silva Filho Dorisval de Lima Waldenir Sidney Fagundes Brito José Alci Lacerda de Jesus Alberto Ubirajara Mafra Lins Vieira Antonio Adons de Oliveira Manoel Evangelista Neto Francisco Ribeiro de Lima Cláudio de Araújo Rocha Ademir da Silva Costa Maria Elizabeth Andrade Versiani Cícero Nunes Guerra Maria Carmen de Araújo Gilka Maria Bastos De Araujo Góes
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