Fale Conosco       Acesse seu E-mail
 
Versão para impressão Diminuir tamanho das letras Voltar Página inicial Aumentar tamanho das letras


Notícias

  28/08/2006 

Ausência de idéias

Há algo de incompreensível na campanha eleitoral deste ano, que faz dela a mais insípida dos últimos tempos. E não é o esfriamento do corpo-a-corpo nas ruas, provocado por uma série de proibições que incluem showmícios, outdoors e distribuição de brindes. As novas regras eleitorais modificaram o perfil desta eleição, sim, mas o que a torna chocante, e no mal sentido, é a ausência quase completa do debate de idéias. Uma ausência ainda mais profunda do que a que estávamos acostumados, quando achávamos que pior não poderia ficar.

Nesta semana entraremos no último mês de campanha e, até este momento, nenhum candidato a governador do Ceará apresentou seu programa de governo. A um mês de o eleitor estar frente a frente com a urna eletrônica, ainda não há propostas no papel, uma linha sequer que aponte alternativas claras para as questões urgentes do Estado. O mesmo ocorre na disputa presidencial. Até agora dois candidatos apresentaram um esboço de seus programas de governo: os inexpressivos José Maria Eymael (PSDC) e Luciano Bivar (PSL), ambos com menos de 1% de intenções de voto. Longe de servirem de exemplo, Eymael e Bivar gastaram quatro páginas, cada um, com promessas pontuais e essencialmente superficiais.

É um cenário inusitado até mesmo para um país como o nosso, com carência de propostas no histórico eleitoral. Em 2002, quando ainda não tinha a máquina nas mãos, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi um dos primeiros a apresentar seu plano de governo, em 23 de julho. Criticado pelo atraso, José Serra (PSDB) anunciou o seu em 7 de agosto. No Ceará, alguns pontos dos programas de governo dos candidatos ao Palácio Iracema já estavam em discussão em julho daquele ano.

No rastro de sucessivos escândalos de corrupção, esperava-se desta vez uma campanha política com um pouco mais de política. Eis que acontece justamente o contrário. Passaram-se dois meses de campanha oficial e, no caso cearense, os debates mais relevantes centraram-se na briga pela imagem de Lula e na briga, mais uma, pelos indicadores positivos de Sobral. Certamente outras virão por aí, e mais pesadas.

A discussão nacional não difere quando se limita à questão ética, CPIs e bate-boca miúdo. Seria menos decepcionante se, além dos bastidores políticos e da troca de acusações, os candidatos se preocupassem em se debruçar sobre os problemas que enfrentarão caso eleitos e em apontar caminhos verdadeiramente objetivos, esclarecendo os métodos que usarão para colocar cada proposta em prática. Quando a provocação vem da imprensa, o resultado até aqui são respostas vagas e promessas antigas.

Seria no mínimo recomendável que, diante dos candidatos, soubéssemos diferenciá-los. Ainda não há uma linha delimitada que, na disputa estadual ou presidencial, revele diferenças programáticas entre os principais adversários. As prioridades são as mesmas de sempre - educação, segurança, saúde, emprego. Uma lista que nem deveria estar em discussão, já que necessidade básica é obrigação, não promessa de campanha. Sem confronto de idéias, e muito menos partido ou ideologia, a campanha centra-se nos candidatos, e só. Todos eles pasteurizados na TV por propagandas de pouca criatividade. E a nós, do outro lado da tela, resta comprar remédio de prateleira. E o que é pior, sem ler a bula.

Fonte: Jornal O Povo

Última atualização: 28/08/2006 às 09:42:00
Versão para impressão Diminuir tamanho das letras Voltar Página inicial Aumentar tamanho das letras

Comente esta notícia

Nome:
Nome é necessário.
E-mail:
E-mail é necessário.E-mail inválido.
Comentário:
Comentário é necessário.Máximo de 500 caracteres.
código captcha

Código necessário.
 

Comentários

Seja o primeiro a comentar.
Basta preencher o formulário acima.

Rua Nossa Senhora dos Remédios, 85
Benfica • Fortaleza/CE CEP • 60.020-120

www.igenio.com.br