A Campanha Salarial deste ano trouxe duas inovações. Primeiro, a alteração na dinâmica das negociações. A Confederação Nacional dos Trabalhadores no Ramo Financeiro (CONTRAF/CUT) quer representar não apenas os cerca de 400 mil bancários, mas sim o 1 milhão de trabalhadores do Sistema Financeiro Nacional. Além disso, solicitou à Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) a definição de prioridades para discussões mais aprofundadas, a renovação das cláusulas que forem consensuais e que já existiam na Convenção Coletiva passada e a valorização das mesas temáticas de saúde, igualdade de oportunidades e terceirização. A segunda novidade diz respeito à mesa única de negociação, que este ano contará com as direções do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal.
No BNB, a palavra de ordem é mobilização
Com a confirmação da participação do BB e da CEF na mesa única, apenas o Banco do Nordeste do Brasil (BNB) e o Banco da Amazônia (BASA) permaneceram de fora. Agora, somente a mobilização do funcionalismo poderá mudar esta realidade.
Na mesa de negociação, o avanço ou o recuo do Banco dependerá, em grande parte, da pressão exercida pelos funcionários. Afinal, ficar fora da mesa única só trará conseqüências negativas, pois o BNB não será obrigado a cumprir todos os pontos da Convenção Coletiva. Com isso, o funcionalismo corre o risco de ter um acordo rebaixado em relação aos outros bancos.
Principais reivindicações da Campanha Salarial deste ano
- Índice de reajuste: 7,05% de aumento real, mais a inflação no período (1º/09/ 2005 a 31/08/2006) - Participação nos Lucros e Resultados (PLR): 5% do lucro líquido linear para todos, mais um salário bruto acrescido de R$ 1.500 - Saúde e condições de trabalho - Fim do assédio moral - Fim das metas abusivas - Isonomia para todos - Mais segurança bancária - Defesa do emprego - Ratificação da Convenção 158 da OIT, que proíbe dispensas imotivadas - Ampliação do horário de atendimento bancário com dois turnos de trabalho - Mais contratações - Respeito à jornada de seis horas - Piso da categoria: R$ 1.500 (o valor atual é de R$ 839,93) - Auxílio-creche/babá: Um salário mínimo, R$ 350 (valor atual 165,34) - Cesta-alimentação: R$ 300 (o valor atual é de R$ 230,02) - Gratificação de caixa: R$ 500 (o valor atual é de R$ 226,65) - 13ª Cesta-alimentação - 14º salário
Principais reivindicações do BB e da Caixa*
Caixa Econômica Federal - Reformulação geral do Plano de Cargos e Salários, PCS, e do Plano de Cargos e Comissões, PCC; - Valorização de todos os cargos e unificação das tabelas; - Isonomia de direitos entre os empregados novos e antigos; - Respeito à jornada de 6 horas para todos (com o fim das fraudes no ponto eletrônico e a reversão dos cargos de 8 horas), - Extensão do auxílio-refeição e alimentação para os aposentados e - (Re) criação do cargo de Diretor Representantes dos empregados, o Direp.
Banco do Brasil - Devolução das horas compensadas em virtude das greves de 2004-2005; - Isonomia de direitos entre todos os funcionários; - Plano de Cargos e Salários a partir de 01/09/2006, independentemente da data de fechamento da Campanha Nacional do Ramo Financeiro; - Um plano de recuperação das perdas salarias, de 1994 a 2005; - Apresentação de um PCS/PCC que recomponha a estrutura dos salários no BB; - A volta do anuênio; - Novo estatuto para a PREVI; - PLR compatível com os altos lucros do BB, distribuída de forma justa, beneficiando igualmente a todos os funcionários que contribuíram para a obtenção desses lucros. A PLR no BB tem privilegiado os níveis gerenciais, em detrimento da imensa maioria dos funcionários que, diuturnamente, se desdobram para cumprir as metas que lhes são impostas.
* A minuta específica do corpo funcional do Banco do Nordeste do Brasil foi aprovada no XII Congresso dos Funcionários do BNB, ocorrido durante os dias 18 e 19/8, em João Pessoa (PB). No momento, a minuta está sendo sistematizada pela Comissão Nacional dos Funcionários do BNB (CNFBNB) e logo será disponibilizada às entidades representativas do funcionalismo, para ampla divulgação. |