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Notícias

  14/08/2006 

Abraham Sicsú defende inovação e competitividade para o desenvolvimento

Confira a entrevista com o professor doutor Abraham Sicsú, realizada na última sexta-feira, dia 11, logo após o debate de Aracaju (SE). Sicsú é Mestre em Economia pela Universidade Federal de Pernambuco e Doutor em Economia pela Universidade Estadual de Campinas. Atualmente, é Professor Adjunto do Departamento de Engenharia de Produção e do Curso de Doutoramento em Economia da Universidade Federal de Pernambuco e Pesquisador Titular da Fundação Joaquim Nabuco, em Recife, Pernambuco.

O senhor defendeu na sua palestra que a inovação e a questão regional estão no centro das políticas dos países desenvolvidos. Como isto se consolidou?

Na verdade, hoje em dia, com a globalização, você não pode pensar em se inserir nos mercados cada vez mais competitivos se você não tiver um reforço na questão do conhecimento, um reforço na questão da capacitação, para poder competir nesses mercados. O que acontece é que nos países desenvolvidos – a constatação partiu de estudo demorado que realizei enquanto pesquisador da Fundação Joaquim Nabuco e da Universidade Federal de Pernambuco – verificamos que em todos esses países há uma ênfase na questão do desenvolvimento regional e mais: que para o desenvolvimento regional todos estes países chamam atenção para a questão da inovação. Ou seja, criar pólos de inovação, arranjos produtivos locais (APLs), clusters, cidades científicas ou parques tecnológicos. Estes são vetores de descentralização. Sabemos que o capitalismo é naturalmente é concentrador; não é nada maquiavélico, ele leva à concentração. Então a função do Estado é justamente diminuir esse processo excessivo de exacerbação da concentração para não criar desrupturas em termos sociais e econômicos muito grandes. E através do viés da inovação você pode trazer vetores importantes para o desenvolvimento regional. É isso que eu estou defendendo e é isso que você nota nos países desenvolvidos.

Que vetores são esses, tão importantes ao desenvolvimento?

Por exemplo, na hora que você define que você vai ter um centro de excelência em uma região, esse centro de excelência por si – não estou falando de um centro de excelência acadêmica, mas de conhecimento – ele vai aglutinando fatores de desenvolvimento, ou seja, novas empresas, novos processos, novas pessoas com capacitação. Isso é um atrator, quer dizer, a ciência & tecnologia ou inovação ela não é só para resolver os problemas que você tem. Ela pode ser um vetor de atração. Então você pode criar um parque tecnológico, e como esse parque tecnológico é um parque de excelência, você acaba fazendo que uma série de empresas venha se instalar em torno dele. Com isso, você faz com que as vistas sejam focadas para aquela região – o que acaba gerando desenvolvimento econômico e social.

O senhor citou também a expressão “analfabetismo tecnológico”. O Brasil ainda está muito atrasado nesse sentido?

Primeiro é preciso explicar o que a gente entende por analfabetismo tecnológico. Isso acontece toda vez que uma pessoa que está empregada se depara com uma mudança tecnológica maior – uma nova máquina, por exemplo, não consegue se adequar e perde o emprego. Isso é o que chamamos de analfabetismo tecnológico: ele parte de pessoas que acabam desempregadas com a implementação de qualquer inovação um pouco maior. Existem algumas pesquisas no Brasil sobre isso, inclusive uma da UNESCO e DIEESE-SP, que mostra que na região metropolitana de São Paulo há um índice de analfabetismo tecnológico de 30% a 35%. É muito alto. São pessoas que não conseguem se adequar a mudanças de paradigmas tecnológicos, novas linguagens. Elas não têm capacidade de assimilação e aprendizagem rápida dos novos processos. Considerando este índice em São Paulo, a situação piora se pegarmos algumas cidades do Nordeste. O país tem problemas sérios de analfabetismo tecnológico. Nós temos uma exclusão digital muito grande.

Nós estamos falando de um projeto de nação que englobe um projeto de desenvolvimento regional. O que a inovação poderia trazer para a concretização deste objetivo?

No meu modo de entender, o grande problema é que nós fizemos todo o processo de propostas para o desenvolvimento regional muito em cima de incentivo ao capital. Então todos os mecanismos usados historicamente nesse país foram de redução de imposto de renda etc., ou seja, incentivos fiscais e creditícios. Isso gerou guerras fiscais e não consolidou bases para o desenvolvimento. O que eu acredito e tenho convicção é que devemos incentivar o conhecimento. E o que seria isso? Seria criar instituições fortes, fazer com que as empresas se modernizem. Tudo bem que se reduza o imposto de renda, desde que o empresário faça um plano de modernização e que daqui a dois ou três anos a empresa se mostre competitiva no mercado. O que eu estou defendendo – e não só eu, mas pesquisadores no mundo todo – é que não se deve dar simplesmente incentivo para a atração de investimentos. Isto deve ser feito atrelado a um processo em que se dá condições para a competitividade. E competitividade passa por você ter conhecimento na região.

Currículo

Abraham Benzaquen SicsúS é graduado em Engenharia de Produção desde 1976, pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, Mestre em Economia desde 1980, pela Universidade Federal de Pernambuco e Doutor em Economia desde 1985, pela Universidade Estadual de Campinas.

Atualmente, é Professor Adjunto do Departamento de Engenharia de Produção e do Curso de Doutoramento em Economia da Universidade Federal de Pernambuco e Pesquisador Titular da Fundação Joaquim Nabuco, em Recife, Pernambuco.

Dentre as funções e cargos que ocupou cabe destacar as de Superintendente da Agência Regional Nordeste do Conselho de Desenvolvimento Científico e Tecnológico-CNPq, Presidente do Instituto Tecnológico de Pernambuco, Diretor de Ciência e Tecnologia do Estado de Pernambuco e Secretário Adjunto de Projetos Especiais do Governo de Pernambuco.

Como docente, cumpre destacar as atividades didáticas na Universidade Federal de Pernambuco, desde 1979, e na Universidade Federal do Pará e na Universidade Federal da Paraíba, como Professor Conferencista. Além dessas, é pesquisador do Núcleo de Estudos para a América Latina da Universidade Católica de Pernambuco. Também exerceu atividades didáticas como Professor de Programa de Desenvolvimento Gerencial nas Centrais Hidrelétricas do São Francisco (CHESF) e nas Centrais Elétricas do Pará (CELPA).

Adicionalmente, foi orientador de trabalhos acadêmicos relativos a Bolsas de Iniciação Científica, Bolsa de Aperfeiçoamento, Elaboração de Teses de Mestrado e Doutorado e participou em Bancas Examinadoras para as mais diversas finalidades, típicas do meio acadêmico.

Desenvolveu atividades de assessoramento e consultoria a entidades governamentais como SUDENE, CNPq, BNDES, FINEP e CAPES, além de entidades como SEBRAE, SENAI, IICA, entre outros.

Última atualização: 14/08/2006 às 06:07:00
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