Mais de 400 intelectuais de todo o mundo assinaram o manifesto "A soberania de Cuba deve ser respeitada", no qual condenam a política dos Estados Unidos para Cuba e pedem que Washington respeite a soberania da ilha. "Exigimos que o governo dos Estados Unidos respeite a soberania de Cuba. Devemos impedir a todo custo uma nova agressão", afirma o manifesto dos intelectuais, apresentado no último dia 7 em Havana.
O texto denuncia que, após a passagem provisória do poder do líder cubano, Fidel Castro, 79, para seu irmão Raúl, 75 - anunciada em 31 de julho - altos funcionários americanos disseram que chegou o momento de uma transição em Cuba.
O manifesto afirma que antes a chamada "Comissão para uma Cuba livre", presidida pela secretária de Estado norte-americana, Condoleezza Rice, já tinha destacado a urgência de "garantir que a estratégia de sucessão do regime de Castro não tenha êxito", e que o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, aprovou um plano que inclui medidas secretas contra a ilha.
"Não é difícil imaginar o caráter de tais medidas e da assistência anunciada caso se leve em conta a militarização da política externa da atual administração americana e sua atuação no Iraque", afirma o texto, apresentado por Roberto Fernández Retamar, presidente da Casa da América, e pelo teólogo belga François Houtart.
O documento é assinado, entre outros, pelos prêmios Nobel José Saramago, de Portugal; Wole Soyinka, da Nigéria; Adolfo Pérez Esquivel, da Argentina; Dario Fo, da Itália; Desmond Tutu e Nadine Gordimer, da África do Sul. O teólogo Leonardo Boff e o poeta Thiago de Mello também assinaram o manifesto, representando o Brasil entre os intelectuais.
O cantor Manu Chao, o ator americano Dany Glover, o escritor Eduardo Galeano (Uruguai), o dramaturgo Alfonso Sastre (Espanha) e o religioso Miguel D"Decoto (Nicarágua) fazem parte da longa lista de signatários.
Fonte: Linha Aberta |