Com o colapso da política neoliberal ressurge, com toda a força, o debate sobre o desenvolvimento econômico e social do país e a distribuição desigual da riqueza entre as regiões. Neste debate inserimos os 54 anos do Banco do Nordeste do Brasil. Muito se destacará sobre o BNB, sua origem, trajetória e, notadamente, os atuais desafios frente à hegemonia das tendências de mundialização da economia, Estado mínimo, privatização etc. Diversas análises partirão das mesmas indagações: Que BNB temos? Que BNB queremos?
O BNB que temos deve ser analisado sob a ótica dos fatores determinantes de sua criação como instituição de desenvolvimento, que é a elevação do bem-estar econômico do povo nordestino – ao invés do foco no fenômeno físico da seca. Ao avaliar a sua atuação no combate à fragmentação da Região, à marginalização, ao crescimento instável e às desigualdades de renda, admitimos progressos. Mas admitimos, igualmente, a permanência de tendências que se projetam do passado e sufocam o futuro, abortando a construção de políticas de desenvolvimento regional.
Dado que os desafios do BNB estão ligados aos fatores determinantes de sua criação, urge colocar que o maior deles é a necessidade de um projeto de Nação, sem o qual não haverá um projeto de desenvolvimento regional. Isto porque problemas históricos – como o combate às desigualdades – não se resolvem com a lógica simplista dos mercados. Daí a necessidade de mercados regulados, planejamento e fortalecimento do Estado em consonância com os movimentos sociais e agentes empresariais, além da criação de instituições de desenvolvimento e/ou seu fortalecimento, a exemplo da Sudene, Chesf, Codevasp, Dnocs etc.
Queremos um BNB forte, mas ligado a um projeto nacional e regional que tenha, em seu bojo, um potencial transformador de uma realidade indesejável. Um Banco de Desenvolvimento não se resume em aplicar recursos, por isso insistimos no fortalecimento do BNB com este perfil que o diferencia das instituições financeiras privadas. Afinal, os indicadores sociais e econômicos, por si, colocam a necessidade histórica da existência do BNB.
José Frota de Medeiros é presidente da Associação dos Funcionários do BNB (AFBNB)
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