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  04/07/2006 

Para pesquisador da Fundaj, política regional para o NE deve priorizar educação

A AFBNB entrevistou o professor doutor Adriano Dias, um dos palestrantes do segundo seminário do Ciclo de Debates Por um Nordeste Melhor, ocorrido em Recife (PE) no último dia 30/6. Adriano Dias é pesquisador da Fundação Joaquim Nabuco, sendo o coordenador geral de Estudos em Ciência e Tecnologia. Doutor em Economia pela Vanderbilt University, nos Estados Unidos; mestre em Economia pela Universidade Federal de Pernambuco; e especialista em Desenvolvimento Econômico, pelo Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico, BNDES. Em 1992, recebeu o Prêmio Nelson Chaves - de Teses sobre o Norte e Nordeste Brasileiros. Confira a entrevista:

1. O senhor destacou, em sua palestra, que um dos elementos que une o Nordeste brasileiro é o Polígono das Secas. Por quê?

O Polígono das Secas é um elemento que marca porque está presente em toda a Região. À exceção do Maranhão, os estados todos têm o peso desse Polígono, com todos os seus problemas e especificidades. E esse é um grande elemento de união. Obviamente não é o único. Quando a gente procura formular uma estratégia para a Região, o que pesa – quando você quer dar atenção aos mais desassistidos – é o Polígono das Secas. Isto para buscar meios de se conviver com um Polígono das Secas em um estágio de desenvolvimento econômico elevado, quando se chegar a esta situação.

2. O senhor também ressaltou que, por conta destas condições existentes no Polígono das Secas há um estresse de acomodação dos agentes econômicos. Qual seria a solução para isto?

O estresse é da própria Região como um todo. Num período de 24 anos, você tinha um crescimento médio do Produto Interno Bruto (PIB) de 5% ao ano. Nos 10 anos de seca esse crescimento era de 5% negativo e nos anos de não seca, ou seja, nos outros 14 anos, um crescimento de 8,7%. São sucessões de taxas de crescimento muito elevadas, com sucessões de taxas de decrescimento também muito elevadas. Porque você decrescer o Produto Interno Bruto de uma Região em 5% em um ano é uma taxa muito alto de decréscimo. Então você está trabalhando com movimentos muito grandes – ora eleva, ora cai – e isso meche com tudo na economia, com o plano das pessoas, com as necessidades de ajustes pessoais, com as empresas. Isso é o que eu chamaria de estresse econômico. Você tem a seca como algo inevitável. Agora, seguramente se nós tivéssemos uma atividade mais resistente à seca, nós teríamos um decréscimo menor. Vou dar um exemplo: em uma área que se dedica à formação de biomassa (florestas energéticas) o que acontece com a seca é que, se você está com os espécimes corretos, aqueles que resistem bem ao estresse hídrico e retomam o crescimento depois, quando a umidade se torna propícia, então você tem – comparado com o que esse espécime teria em um local onde a umidade é constante – um período maior para chegar ao momento de corte. Mas, em média, você teria uma atividade de corte que não seria tão variável. Quando você tem um decréscimo no PIB de uma Região de 5% no ano, imagine o que isso significa nas áreas que são atingidas pela seca... É preciso entender que isso significa, nessas áreas, uma queda de renda brutal. Então determinadas formas de você conviver com a seca podem levar a que a queda de renda seja bem menor. E sendo menor naquelas áreas, será menor no conjunto do Nordeste como um todo.

3. O que deveria, na sua opinião, ser priorizado na construção de uma política regional para o Nordeste?

Nós teríamos que levar em conta, como elemento fundamental, entre outros elementos, o fato de que as novas tecnologias são muito exigentes em termos de educação. É diferente da relação entre educação e desenvolvimento que nós tínhamos no passado. Essa relação, que sempre existiu, mudou a sua natureza. Agora, tornou-se muito mais essencial um bom nível de educação populacional. O ideal é que tenhamos a universalização do ensino médio de qualidade. Com isso, as pessoas podem assimilar as novas técnicas produtivas com facilidade. E numa Região como esta, sujeita ainda mais – como todo mundo está – a mudanças climáticas, então você vai ter que ter mudanças nas técnicas produtivas, que vão ser propiciadas pela pesquisa, por transferência de tecnologia de fora, absorvida aqui, e que devem ser difundidas rapidamente na população. Porque no que diz respeito à produção agrícola, a atividade produtiva é exercida pela população agrícola. Então você tem que difundir esse conhecimento na população agrícola. E para este conhecimento ser difundido, é preciso que as pessoas estejam aptas a assimilá-lo com eficiência. Então é fundamental a educação para que essa assimilação se dê com a velocidade e a qualidade necessária e desejável.

Última atualização: 04/07/2006 às 22:36:00
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