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Notícias

  20/06/2006 

Dieese mostra impacto de tarifas na conta do cliente

Os três maiores bancos brasileiros, notadamente, o Banco do Brasil, Bradesco e Itaú faturaram em 2005, R$ 20,1 bilhões, somente com prestação de serviços. Para se ter uma idéia da magnitude dessas receitas, elas superam em 576,76%, os R$ 2,97 bilhões das receitas totais do governo do Estado do Ceará, no ano passado.
 
Esse montante — R$ 20,1 bilhões — representa 50% do total de receitas com serviços prestados pelas 135 instituições bancárias atuantes no País, e 17,3% do total faturado pelos três bancos em 2005. Não estão computados nesses valores os ganhos com aplicações em títulos públicos e com “spreads — diferença entre os juros pagos na captação e os cobrados nos empréstimos e financiamentos.
 
Os números compõem um estudo nacional sobre Receitas de Prestação de Serviços, que o Departamento Intersindical de Estudos Sócio-Econômicos e Estatísticos (Dieese) apresenta às 15 horas de hoje, na sede dos Sindicato dos Bancários do Ceará. Segundo o coordenador do Dieese no Estado, Reginaldo Aguiar, a pesquisa aponta o impacto financeiro que as tarifas bancárias produz nas contas dos correntistas pessoas físicas e jurídicas.
 
Ainda conforme o estudo, de cada R$ 1,00 recebido pelos bancos no ano passado, 22% foram destinados para pagamento de pessoal, 15% para tributos, 12% para lucros e 51% para despesas estruturais. Em 2005, a economia brasileira cresceu 2,3%, metade do crescimento mundial, em torno de 4,3%.
 
“A idéia foi fazer uma avaliação das receitas dos bancos somente com prestação de serviços ao longo dos últimos anos”, explica Aguiar. Ele informa que a carga tributária sobre o setor financeiro, taxas de juros e avaliação dos “spreads” serão objetos de pesquisas futuras.
 
LUCROS — Nota do Departamento de Marketing do Bradesco, divulgada pelo Diário do Nordeste, em março último, já anunciava que a receita com prestações de serviços em 2005, foi de R$ 7,3 bilhões.
 
A Caixa Econômica Federal (CEF) registrou arrecadação nacional de R$ 3,3 bilhões em tarifas, enquanto o BB, R$ 2,5 bilhões, sendo R$ 190 milhões, somente no Ceará. Já o BNB, faturou R$ 90 milhões na Região Nordeste, dos quais, 15,5%, ou R$ 14 milhões, no Estado.
 
Com cerca de 70 tarifas cobradas atualmente dos clientes e usuários pessoas física e jurídica, é fácil supor como os bancos conseguem auferir somas tão grandes. Segundo o coordenador de comunicação do Sindicato dos Bancários, Telmo Nunes, a margem de lucro sobre os custos operacionais das tarifas cobradas pelo setor privado chega a 70%.
 
Dados do Banco Central (BC) mostram que a tarifa cobrada na compensação de um único cheque custa R$ 0,40, na Caixa Econômica, R$ 0,50, no BNB, R$ 0,85 no BB, R$ 1,60, no Bradesco e até R$ 1,80, no Banco Itaú. Conforme disse, para este “serviço”, o BC estipula o valor máximo de R$ 0,90, para cobrir os custos com cada operação.
 
Diante de tantas tarifas, o Programa de Proteção e Defesa do Consumidor (Decon-CE) registrou em 2005, 777 reclamações contra bancos e financeiras, numa média de 65 por mês.

Fonte: Jornal Diário do Nordeste
Última atualização: 20/06/2006 às 09:15:00
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