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Notícias

  18/05/2006 

Duas frentes de luta

Que a data de hoje reforce os esforços do Estado brasileiro para atuar com decisão nessas duas linhas de defesa dos segmentos mais desprotegidos da sociedade (ao lado dos idosos) as crianças e adolescentes (contra o abuso e a exploração sexuais) e os doentes mentais e suas famílias (contra os abusos do poder psiquiátrico)

Hoje, 18 de maio, estão marcadas duas datas importantes para a sociedade brasileira: o Dia Nacional de Combate à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes e o Dia Nacional da Luta Antimanicomial.

O enfrentamento de ambas as questões é um referencial para se aferir o grau de consciência política e cidadã e de humanização alcançado pelos brasileiros.

No caso do abuso sexual de crianças e adolescentes, o fenômeno é mundial e tem-se agravado enormemente na sociedade contemporânea, devido à degradação dos valores humanos, ntensificada pelo poder avassalador da revolução tecnológica dos meios de comunicação, sobretudo a Internet.

O fenômeno da pedofilia ganha contornos de verdadeira catástrofe. Suas vítimas são extremamente vulneráveis, pois os seus algozes são difíceis de serem contidos, visto que os ataques ocorrem em grande parte no próprio recesso do lar, ou através de pessoas insuspeitas que formam o círculo mais próximo das vítimas: familiares, educadores, médicos, religiosos.

Outra forma, é o da exploração sexual, seja através da prostituição direta, seja através da comercialização de pornografia, sobretudo por redes de pedófilos interligados pela Internet.

No Brasil, a chaga da prostituição infanto-juvenil é uma realidade onipresente em todo o território nacional. A lhe dar embasamento está o turismo sexual, cujos tentáculos se espalham pelas regiões mais pobres do País, alimentando um crescente e florescente indústria clandestina de
pornoturismo.

As adolescentes brasileiras que caem na malha da prostituição são exploradas por uma rede de interesses já bastante identificados por várias comissões parlamentares de inquérito em diversos níveis (municipal, estadual e federal). Trata-se de um fenômeno decorrente de causas sociais conhecidas: pobreza, marginalização, desagregação familiar, desemprego, etc. A sociedade
brasileira tem de fazer a opção de não mais permitir que crianças e jovens fiquem entregues ao ''deus-dará´´. Os recursos empregados para evitar isso serão investimentos de retorno garantido para a sociedade.

O outro problema - o da luta antimanicomial - está relacionado com o grau de consciência humanitária de nossa sociedade. Foi em 1987 que surgiu no Brasil o movimento e o dia nacional dedicados à luta antimanicomial. A iniciativa proveio de profissionais, familiares e usuários do serviço de atendimento às pessoas com transtornos mentais indignados com o tratamento praticado nos manicômios. Deu-se curso a um debate que tem permeado os meios psiquiátricos
sobre a inadequação de certos recursos de tratamento considerados atentatórios à dignidade humana, tais como choques elétricos, lobotomias e vários tipos de maus-tratos que culminavam na confinação dos pacientes e sua exclusão do convívio social.

A partir daí estabeleceu-se um forte movimento em favor da reforma psiquiátrica, reinvidicação que sensibilizou alguns segmentos do Estado brasileiro. Os substitutivos encontrados para os equipamentos tradicionais, sobretudo, os Centros de Atenção Psicossocial (CPAs) não vêm conseguindo atender aos propósitos visados pelos defensores do fim dos manicômios. A
idéia central, de impedir que as pessoas portadoras de transtornos mentais sejam isoladas, abrigadas e maltratadas em hospitais psiquiátricos (e que, ao contrário, possam conviver em sociedade, serem cuidadas em serviços abertos, morar com suas famílias em suas casas) não tem sido alcançada por falta de uma maior estrutura. Além de uma rede eficiente de serviços de
atenção à saúde mental, apoiada nos princípios dos SUS, é preciso proporcionar condições às famílias dos pacientes, para que estas possam dar a atenção aos mesmos com a segurança requerida, o que não ocorre atualmente.

Que a data de hoje reforce os esforços do Estado brasileiro para atuar com decisão nessas duas linhas de defesa dos segmentos mais desprotegidos da sociedade (ao lado dos idosos): as crianças e adolescentes (contra o abuso e a exploração sexuais) e os doentes mentais e suas famílias (contra os abusos do poder psiquiátrico) .

Fonte: Jornal O Povo

Última atualização: 18/05/2006 às 09:00:00
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