O combate à pobreza não se dá apenas via elevação da renda, alerta o pesquisador José de Jesus Sousa Lemos, professor licenciado do Departamento de Teoria Econômica da Universidade Federal do Ceará (UFC), atualmente secretário de Assuntos Estratégicos do governo do Maranhão. Para ele, combinar a elevação de índices sociais com desenvolvimento econômico nem sempre dá o resultado esperado no combate à pobreza rural, sobretudo no semi-árido, que conta com peculiaridades como chuvas irregulares, solos pedregosos e comunidades distantes. No entanto, a receita dos programas de combate à pobreza é prescrita mundo afora, sem contra indicação.
Para José Lemos, que traz ainda no currículo ter sido professor visitante da Universidade da Califórnia (EUA), onde concebeu o Índice de Exclusão Social, que serve de fio condutor para a sua análise, é preciso que sejam pensados outros pontos. Como por exemplo, aumentar o acesso das famílias aos serviços de água encanada, de fossas sépticas, de coleta sistemática de lixo, redução do nível de analfabetismo, elevação da taxa de matrícula nos diferentes níveis escolares.
Concebidos “em sinergia, com planejamento estratégico, definindo os grupos que devem ser beneficiados, esses programas contribuirão para reduzir a pobreza, o êxodo rural, e melhorar a qualidade de vida dessas populações”, resume.
No atual contexto sócio-econômico e político, “os níveis elevados de pobreza não interessam a ninguém”, atesta o professor, daí o trabalho realizado por entidades multilaterais como o Banco Mundial (Bird), interessadas em fomentar programas assim, “fundamentalmente para reduzir níveis de pobreza e de exclusão social”.
Em primeiro lugar, altos níveis de exclusão social contribuem para o êxodo rural, e, por conseqüência, para o inchamento das populações urbanas dos grandes centros. Seguindo esse raciocínio, José Lemos adverte: “Não há disponibilidade de serviços suficientes de moradias, saneamento, água encanada, coleta de lixo e, sobretudo, trabalho, para essas populações nesses centros urbanos.
Nessa perspectiva, os migrantes acabam contribuindo para aumentar os problemas sociais desses centros, como violência urbana. Por isso, torna-se imperativo a criação de mecanismos papara que essas famílias não emigrem das zonas rurais do Ceará e de outros estados da região Nordeste. “Obviamente que se houver um incremento da renda monetária dessas famílias em decorrência desses programas, ela se tornam potenciais consumidoras de itens que podem ser viabilizados dentro dos próprios municípios”, analisa o professor.
Fonte: Jornal Diário do Nordeste |