A carga tributária no País teria de subir dos atuais 38% para 54% do Produto Interno Bruto (PIB) nos próximos 20 anos só para sustentar o aumento dos gastos públicos, que cresceram a uma taxa anual de 5,6% na última década, já descontada a inflação. O alerta é do movimento Simplificando o Brasil, lançado ontem, em São Paulo, pela Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomercio-SP).
A projeção foi feita com base numa estimativa de crescimento do PIB de 2,5% ao ano, igual ao dos últimos dez anos, segundo estudo encomendado pela entidade a um grupo de economistas da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas da Universidade de São Paulo (Fipe/USP). As despesas do governo estão 25% acima da média internacional. Se nada for feito, elas dobrarão em 20 anos.
De acordo com o estudo, a carga de tributos dificilmente será reduzida sem um corte drástico de gastos do governo e uma reforma tributária que simplifique os impostos e diminua as alíquotas.
O Simplificando o Brasil pretende enumerar os principais problemas do País e propor alternativas para criação de um ambiente favorável, sugerindo mecanismos para garantir o crescimento sustentável da economia brasileira. As sugestões deverão ser entregues aos candidatos à Presidência da República.
O economista Simão Silber, um dos autores do estudo, diz que o governo gasta mais em educação que os países do seu mesmo nível de renda, porém a maior parte dos investimentos está concentrada no nível universitário, em detrimento do ensino fundamental. Os gastos per capita com educação fundamental no Brasil são inferiores aos de países como Tunísia e Filipinas.
Na saúde, o País também gasta acima da média mundial, mas com atendimento de qualidade inferior. "Gastamos mais que o Reino Unido e a Noruega, mas temos um índice de mortalidade infantil muito maior, comparável a países em situação econômica pior que a nossa", diz Silber. (das agências)
Fonte: Agências de Notícias |