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Notícias

  30/03/2006 

Alimentos orgânicos valem o investimento

Quem costuma comparar os preços nas prateleiras de supermercados já notou que aqueles produtos chamados de “orgânicos” custam, geralmente, cerca de 20% mais do que seus equivalentes tradicionais. Há, porém, diversos motivos que justificam pagar um pouco a mais. Quem compra produtos orgânicos não está apenas consumindo alimentos mais saudáveis,
mas também atua, indiretamente, em prol da preservação ambiental, da distribuição de renda e da justiça social.

Os alimentos denominados “orgânicos” são produzidos segundo alguns preceitos bem diferentes daqueles que norteiam os métodos utilizados na agricultura tradicional. Enquanto esta prima basicamente pela quantidade e, para isso, baseia seu sistema de produção em grandes propriedades monocultoras, no uso de agrotóxicos, fertilizantes e aditivos químicos, a agricultura orgânica tem compromisso com a sustentabilidade econômica e ecológica da região onde atua e busca causar o menor impacto ambiental possível.

A agricultura tradicional usa agrotóxicos para combater pragas. Esse produtos, porém, não contaminam apenas os alimentos, mas também o solo, o ar e as águas do lugar onde está inserida a plantação. Uma vez infectado por esses produtos, o solo demora, no mínimo, dois anos para voltar a ficar saudável. Enquanto isso, tudo o que for produzido estará contaminado por elementos que podem ser muito prejudiciais à saúde humana – chumbo e mercúrio estão entre eles. A água das chuvas pode levar as toxinas presentes nos solos das plantações para rios, outros solos e lençóis freáticos, comprometendo a saúde dos animais e das plantas de toda uma região. Especialistas mostram que essas substâncias são a segunda causa mais freqüente de contaminação da água no país.

Os agrotóxicos também prejudicam a saúde dos agricultores, que acabam respirando as toxinas e acumulando-as em seu organismo. Portanto, para produzir um tomate liso e sem marcas ou uma maça vistosa pode se estar prejudicando a saúde do homem, a biodiversidade e o equilíbrio do
planeta. O consumidor consciente pode agir e se posicionar na hora da compra rejeitando os alimentos produzidos sob essas condições.

O sistema orgânico busca métodos naturais alternativos para criar as condições necessárias ao progresso de sua produção, sempre visando à qualidade dos alimentos que produz e à integridade da biodiversidade da região onde atua. Cerca de 90% das propriedades que produzem sob esses
preceitos é formada por pequenos produtores familiares ligados a associações de movimentos sociais. Assim, é muito difícil para esses agricultores competirem em preço com grandes produtores de agricultura tradicional. Este é um fato que envolve questões estruturais de ordem
política e socioeconômica e não tem como ser solucionado em um curto prazo. Porém, quanto mais o consumo de alimentos orgânicos for disseminado e valorizado, a tendência é que seu preço caia e que a oferta aumente. Dessa forma, quem consome orgânicos incentiva as
pequenas propriedades que, muitas vezes, têm dificuldades em se manter perante à concorrência dos grandes produtores.

Em relação aos animais, os preceitos da agropecuária orgânica se traduzem em atitudes como o não-uso de hormônios, antibióticos e outros medicamentos, geralmente aplicados nos sistemas tradicionais. Os animais também não se alimentam de pastos fertilizados por insumos químicos. Os resultados são ovos, leite e carnes sem a presença de elementos tóxicos e prejudiciais à saúde.

A valorização do agricultor

A agricultura orgânica, assim como outros sistemas agroecológicos (a agricultura biodinâmica, agricultura ecológica, agricultura natural) é um modelo que alia tecnologias e descobertas atuais a respeito da eficiência produtiva e da preservação ambiental aos conhecimentos práticos que foram acumulados no decorrer de muitas gerações de agricultores e que, muitas vezes, já fazem parte da cultura de uma determinada região. Assim, não é mera retórica quando se diz que a valorização desses sistemas, muitas vezes, ajuda também a preservar e respeitar a integridade cultural dos locais onde estão inseridos.

Diante de um solo pobre e compactado, por exemplo, ao invés de usar fertilizantes químicos, o pequeno produtor de alimentos orgânicos se utiliza de seus conhecimentos e de sua experiência para recorrer a plantas típicas da região, com raízes robustas e de grande volume de massa verde, para que elas possam reestruturar o solo com nutrientes e fornecer quantidade suficiente de matéria orgânica para torná-lo novamente fértil. Esse método chama-se adubação verde. Outro exemplo de solução alternativa: quando algum tipo de praga ataca a plantação (sinal de desequilíbrio biológico na região), o melhor a fazer é introduzir predadores naturais para salvar a plantação sem contaminar o solo, a água e o ar do local. Ambos são exemplos de procedimentos recomendados por agrônomos e especialistas na área e que já são, há muito, conhecidos
e utilizados por agricultores.

Com a valorização desse profissional e da agricultura cultivada em pequenas propriedades, a tendência é diminuir a miséria e o êxodo rural, já que, quando diante de condições que o auxiliam no cultivo, o lavrador dificilmente deixa sua terra e seu ofício.

Mais um ponto a favor dos orgânicos é que sua produção tende a ser vendida em locais mais próximos, em feiras organizadas por associações de pequenos produtores, por exemplo, o que garante menor desperdício de alimentos (eles não têm tempo de estragar) e menor gasto de combustível para seu transporte.

Como saber se o alimento que você consome é de fato orgânico

Hoje, a garantia que o consumidor brasileiro tem de que a mercadoria que está comprando foi realmente produzida sob determinadas condições de respeito aos agricultores e à biodiversidade natural é o selo conferido pelas empresas certificadoras. Por ora, enquanto o decreto federal que
estabelece quais são exatamente os critérios que devem ser seguidos pelos produtores de orgânicos não é regulamentado, essas certificadoras seguem suas próprias normas para conferir selos a esses produtos.

Edegar Rosa, da Organização Internacional Agropecuária, uma das cerca de 25 certificadoras que atuam no país, explica que a iniciativa de fiscalizar a produção de orgânicos partiu da sociedade civil. “O governo acabou ficando para trás nesse processo”, diz ele.

A Lei dos Orgânicos já foi redigida e a previsão é de que, ainda em 2006, seja realizada uma consulta pública para que, enfim, ela seja regulamentada. Por enquanto, os consumidores têm de ficar atentos aos critérios usados pelas certificadoras dos produtos orgânicos que estão
comprando. As principais empresas têm sites que podem ser consultados pela internet (veja quadro com as principais certificadoras do país).

Como as exportações dos produtos orgânicos crescem a cada ano, os produtores têm interesse em obter certificações que atendam às legislações de outros países. Por isso, como explica Edegar, é muito comum as certificadoras seguirem os rígidos parâmetros exigidos por
governos de países europeus, por exemplo.

As regras mais comuns para obter o selo de certificação incluem: a desintoxicação do solo (fase de conversão, que dura, aproximadamente, dois anos), a não-utilização de adubos químicos e agrotóxicos, a recomposição de matas ciliares, a preservação de espécies nativas e mananciais, o respeito às normas sociais baseadas nos acordos internacionais do trabalho e a não utilização de sementes geneticamente modificadas.

Por enquanto, o que existe por parte do governo em relação aos orgânicos é a Instrução Normativa 007/99, do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (MAPA). Segundo ela, para ser considerado um sistema orgânico de produção agropecuária e industrial, entre outras coisas, é preciso levar em consideração os recursos naturais e socioeconômicos da região, respeitando a integridade cultural e tendo por objetivo a auto-sustentação no tempo e no espaço.

Brasil é vice em produção orgânica

Nos últimos cinco anos, principalmente, o cultivo de alimentos orgânicos no Brasil aumentou muito. Enquanto, em 2000, o número de hectares ocupados por esse tipo de plantação não chegava a 100 mil, hoje já chega a 6,5 milhões, segundo dados do senso realizado pelo Ministério da
Agricultura em convênio com o Ministério do Desenvolvimento Agrário. São 12.600 produtores rurais já certificados, o que garantem ao Brasil a segunda colocação em área ocupada por agricultura orgânica. A Austrália, maior produtor mundial desse tipo de alimento, 8 milhões de hectares de seu território são ocupados pela produção orgânica.

Dados divulgados pelo IBGE dizem que dos 5.281 municípios com atividade agrícola do país, 35,8% incentivam a promoção e a prática da agricultura orgânica. Na região sul, principalmente, cresce, cada vez mais, o uso desse modelo por pequenas propriedades agrícolas familiares, enquanto no Sudeste a adesão maior é das grandes propriedades (que representam 10%
do número de propriedades que se dedicam aos produtos orgânicos).

Como não poderia deixar de ser, com o aumento da oferta, houve também o  aumento do consumo desses alimentos. Segundo dados do Instituto Ipsos, 14% dos brasileiros que vivem em cidades consomem algum tipo de produto orgânico por se preocupar com os efeitos que eles podem ter a favor de sua saúde. Outro dado que exemplifica esse fenômeno diz que a venda de
orgânicos na rede de supermercados Pão de Açúcar quintuplicou nos últimos quatro anos.

 Orgânicos X Tradicionais

Produzidos em menor escala, são, em média 20% mais caros. Alguns produtos, como o café por exemplo, podem não ter diferenças significativas no preço. Pesquisas mostram que, contabilizados os gastos com doenças cujas causas podem ser os elementos químicos presentes nos
alimentos, os orgânicos acabam saindo mais barato.

PREÇO

A produção de alimentos em grande escala e as poucas perdas devido ao uso de fertilizantes, agrotóxicos e aditivos químicos ajudam a baratear a produção.

Os solos em que são cultivados contém mais nutrientes e são naturalmente férteis. Pesquisas já comprovaram a superioridade nutricional dos orgânicos.

VALOR NUTRITIVO

Mesmo o uso de fertilizantes químicos não garante maior valor nutricional aos alimentos. Além disso, para conseguir níveis suficientes de minerais essenciais, como zinco e cobre, vão no pacote alguns elementos tóxicos, como cromo, mercúrio e chumbo.

A aparência dos produtos orgânicos é menos vistosa, porque não é usado nenhum tipo de aditivo para garantir cor e tamanho.

APARÊNCIA

Os aditivos químicos garantem cores vivas e tamanhos acima do normal. Existe compromisso desse sistema agrícola com o meio ambiente. Matas não são derrubadas e a biodiversidade é preservada na região onde atua. O sistema tende sempre ao equilíbrio.

MEIO AMBIENTE

Não há compromisso com a biodiversidade. Não apenas matas são derrubadas para que a lavoura possa ser implantada, mas também há poluição e intoxicação dos recursos naturais da região (solo, água, ar).

Fonte: Instituto Akatu

Última atualização: 30/03/2006 às 11:58:00
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